Balança comercial brasileira registra superávit de R$ 10,5 bi em abril; exportações aos EUA caem 11%

Valor exportado em abril foi recorde da série histórica para qualquer mês; no acumulado do ano, saldo é positivo em US$ 24,782 bilhões

7 mai 2026 - 16h31
(atualizado às 17h46)

BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 10,537 bilhões em abril, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 7, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). O valor foi alcançado com exportações de US$ 34,148 bilhões e importações de US$ 23,611 bilhões.

Em abril, as exportações registraram alta de 14,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, com crescimento de 16,1% em Agropecuária, que somou US$ 9,23 bilhões; alta de 17,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 8,28 bilhões; e, por fim, crescimento de 11,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 16,44 bilhões.

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Em abril, as exportações registraram alta de 14,3% na comparação com o mesmo mês de 2025
Em abril, as exportações registraram alta de 14,3% na comparação com o mesmo mês de 2025
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

As importações subiram 6,2% em abril ante o mesmo mês de 2025, com queda de 25,8% em Agropecuária, que somou US$ 420 milhões; alta de 0,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,09 bilhão; e, por fim, crescimento de 7,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 21,93 bilhões.

Recorde da série

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou nesta quinta-feira que o valor exportado pelo Brasil em abril de 2026, de US$ 34,1 bilhões, foi o recorde para qualquer mês da série histórica. Ou seja, foi o maior valor em vendas em um único mês da história.

"Trata-se de um valor inédito não só para o mês de abril, mas para qualquer mês da série histórica, com um aumento de 14,3% em relação ao valor do mesmo mês do ano passado, que somou 29,9 bilhões de dólares, e esse aumento foi impulsionado por um crescimento de 6,9% nos preços e da mesma forma de 6,9% no volume exportado", afirmou.

Ele afirmou que o valor de importação, de US$ 23,6 bilhões, foi recorde para o mês de abril. Assim como também foram recordes o superávit comercial do mês e a corrente de comércio.

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Acumulado

No acumulado do ano, a balança comercial brasileira acumula superávit comercial de US$ 24,782 bilhões no ano até abril. O valor foi alcançado com exportações de US$ 116,552 bilhões e importações de US$ 91,770 bilhões e é 43,5% maior do que no mesmo período de 2025.

No acumulado de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações registraram alta de 9,2%, com crescimento de 6,6% em Agropecuária, que somou US$ 26,39 bilhões; alta de 22,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 29,33 bilhões; e, por fim, crescimento de 4,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 60,18 bilhões.

As importações subiram 2,5% de janeiro a abril de 2026 ante o mesmo período de 2025, com queda de 21,4% em Agropecuária, que somou US$ 1,80 bilhão; queda de 5,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 3,86 bilhões; e, por fim, crescimento de 3,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 85,49 bilhões.

Exportações aos EUA caem

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 11,3% em abril de 2026 (somando US$ 3,121 bilhões no mês, ante US$ 3,517 bilhões em abril de 2025).

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Pelo lado das importações, houve diminuição de 18,1% nas compras vindas dos EUA em abril (totalizando US$ 3,097 bilhões, ante US$ 3,780 bilhões em igual mês do ano passado). Assim, a balança comercial com os EUA resultou num superávit de US$ 20 milhões em abril.

Esta é a nona queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.

No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o MDIC calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40% quanto os sujeitos a 40% mais a taxa-base de 10%.

Sobre as exportações para os EUA, Brandão afirmou que há queda contínua desde agosto do ano passado, mas há uma indicação de melhora, com o valor passando de US$ 3 bilhões.

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"Ainda observamos redução da exportação, mas ele vem se recuperando, o comércio vem se recuperando ao longo dos meses, nesse ano, superamos aqui 3 bilhões de dólares após vários meses, desde o final do ano passado, abaixo desse patamar, superamos 3 bilhões de dólares de exportação", completou.

Embarques à China crescem

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 32,5% em abril de 2026 (somando US$ 11,610 bilhões no mês, ante US$ 8,763 bilhões em abril de 2025).

Pelo lado das importações, houve crescimento de 20,7% nas compras vindas da China em março (totalizando US$ 6,054 bilhões, ante US$ 5,018 bilhões em igual mês do ano passado).

Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 5,56 bilhões com o país asiático no quarto mês deste ano.

No período de janeiro a abril de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para China cresceram 25,4% e atingiram US$ 35,61 bilhões. As importações caíram 0,4% e totalizaram US$ 23,96 bilhões. Consequentemente, neste período, a balança comercial apresentou superávit de US$ 11,65 bilhões.

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Petróleo

Herlon Brandão afirmou que a exportação de petróleo bruto do Brasil teve uma queda por conta da volatilidade do mercado. E não por conta do imposto de exportação criado pelo governo para financiar uma redução no preço do diesel, diante da alta de preço internacional por conta da guerra no Irã.

"É possível que observemos esse aumento de novo no mês seguinte, no mês de maio, que estamos agora. Então acredito que não seja possível atribuir uma questão do imposto de exportação de petróleo bruto", afirmou.

Segundo ele, mesmo com o imposto, o Brasil segue competitivo no mercado internacional e as exportações devem voltar a crescer em maio.

"Por mais que tenha decrescido a exportação, o imposto de exportação de petróleo bruto, o Brasil é muito competitivo, o Brasil produz a um custo muito barato e a demanda externa é grande", completou.

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