Azul muda foco para "crescimento responsável"; descarta fusões e aquisições após Chapter 11

23 fev 2026 - 08h57

A companhia aérea Azul saiu da reestruturação ‌do Chapter 11 protegida de quaisquer novos obstáculos potenciais, e agora se concentrará no "crescimento responsável", disse o presidente-executivo John Rodgerson em entrevista à Reuters, descartando quaisquer planos de fusão ou aquisição.

A Azul anunciou na sexta-feira que havia saído do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, ⁠conhecido como Chapter 11, após cerca de nove meses, acrescentando que havia alcançado ‌seus objetivos de fortalecer sua estrutura de capital, aumentar a liquidez e reduzir o endividamento durante o processo.

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"Eu estou super feliz para ‌gerenciar esta empresa agora, desalavancada. A melhor ‌coisa é ser gestor de uma empresa que fez tudo que ⁠teve que fazer para limpar nosso balanço", disse Rodgerson.

A Azul entrou com um pedido de recuperação judicial em maio de 2025 para reestruturar sua dívida, como parte de uma série de companhias aéreas latino-americanas que buscaram recuperação após a pandemia— incluindo as rivais Gol e LATAM Airlines .

A ‌companhia aérea reduziu suas dívidas e obrigações de arrendamento em cerca de ‌US$2,5 bilhões durante o ⁠processo, que também ⁠incluiu a captação de quase US$1,4 bilhão por meio de dívidas e US$950 milhões ⁠em investimentos de capital.

"Nós sabemos ‌que a empresa com ‌menor alavancagem vai ganhar a corrida. É simples assim. Nós estamos em um país que tem várias incertezas, então o que nós fizemos agora é que nós blindamos a empresa para durar qualquer ⁠coisa", disse Rodgerson.

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A Azul saiu do processo de falência com um índice de alavancagem líquido inferior a 2,5, abaixo dos 3,3 registrados durante a pandemia, observou o CEO.

UNITED E AMERICAN APOIAM REESTRUTURAÇÃO

Como parte da reestruturação da Azul, a American ‌Airlines e a United Airlines concordaram em investir na companhia aérea brasileira.

A Azul recebeu US$100 milhões da United e firmou um compromisso com a American ⁠para um investimento adicional de US$100 milhões em ações, sujeito à aprovação antitruste.

"Eles podiam ter investido em qualquer outra empresa, mas eles decidiram embarcar conosco nisso", disse Rodgerson. "Elas querem a conectividade que nós temos aqui dentro do Brasil."

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A reestruturação também pôs fim a quaisquer ideias de fusão, acrescentou ele.

Em 2025, a companhia aérea manteve negociações com o Grupo Abra sobre uma possível fusão com a Gol, controlada pelo Abra, mas elas terminaram em setembro, quando a Azul voltou seu foco para o processo de recuperação judicial. Ela também teve uma tentativa fracassada de se unir à LATAM em 2021.

"Esquece", disse Rodgerson quando questionado sobre uma possível fusão.

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