RIBEIRÃO PRETO (SP) - Patrícia Marra é produtora rural em Catalão (GO). Em 1,3 mil hectares, planta milho e soja no verão, e sorgo no inverno. Pelo quarto ano consecutivo, foi à Agrishow, feira internacional de tecnologia agrícola, que começou na segunda, 27, e vai até esta sexta-feira, 1º, em Ribeirão Preto (SP). Dessa vez, o interesse é renovar o kit de plantadeiras, tratores e descompactadores de solo. Mas quer fugir do financiamento. Por causa dos juros altos, conversa com duas grandes empresas de máquinas para estudar possibilidades de consórcio.
"Os últimos quatro anos estão sendo difíceis para o agro. O preço dos fertilizantes subiu muito, e o de venda das commodities caiu. Considerando, também, os patamares da taxa de juros, não pretendo mais fazer financiamento."
A exemplo dela, outros agricultores estão buscando, na feira, alternativas à aquisição de máquinas novas. Na sala de negócios da Agritex, revendedora da Case IH em Água Boa (MT), a expectativa do proprietário Gerson Garbuio é de crescimento na procura em relação à edição de 2025. Isso porque, na sede da loja, ele já vem notando aumento expressivo. Nos últimos cinco anos, a carteira de clientes de consórcios passou de 30 para 300. E a perspectiva é continuar expandindo de 20% a 30% nos próximos anos.
"O consórcio é uma compra programada. Não é possível garantir que o cliente vai receber o bem rapidamente, já que depende de lance ou contemplação. Enquanto no financiamento, paga os juros vigentes, o consórcio prevê apenas a taxa de administração, bem mais baixa."
A Primo Rossi, administradora de consórcios Case, teve, nos quatro primeiros dias da Agrishow, um crescimento de 70% em vendas na comparação com a feira de 2025. A modalidade responde pela comercialização anual de 12% de todos os tratores entregues pela Case no Brasil. Segundo Mônica Rossi, executiva da Primo Rossi, que tem 62 anos e foi pioneira nesse mercado, o consórcio pode ser um complemento.
"Alguns consumidores entendem o consórcio como um item de composição de uma cesta. Com isso, mesmo que façam a compra imediata de uma máquina, podem adquirir cotas de consórcios porque, se forem contemplados, recebem o valor correspondente ao bem e podem direcioná-lo para o próprio bem ou para quitar um financiamento, por exemplo", explica.
O desempenho observado pela Primo reflete um movimento de alta em todo o País. Segundo a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), houve, de 2024 para 2025, um crescimento de 7,7% no número de participantes ativos, 14,2% em créditos disponibilizados, 13,7% em vendas de cotas e 5,8% em contemplações.
Locação e seminovos
Além dos consórcios, expositores da Agrishow oferecem, ainda, possibilidades de locação e de aquisição de seminovos. A Armac, por exemplo, trabalha com os dois modelos de negócios. Compra máquinas da linha amarela de várias marcas e aluga por curto, médio e longo prazos. Os agricultores podem requisitar o equipamento por períodos que variam de 7 a 30 dias, 1 a 12 meses, ou 2 a 5 anos.
A empresa tem, à disposição, cerca de 12 mil máquinas para atender à demanda. Pela segunda vez participando da Agrishow, já percebe um crescimento de 28% na procura pela modalidade entre a feira de 2025 e a deste ano.
Com 32 anos e atendendo, também, outros segmentos, como mineração, construção civil e florestal, está no agro há dez anos. A expectativa é de que o setor contribua, de forma significativa, para que a marca passe das atuais 18 lojas no Brasil para 30 até o final de 2026.
"Com o cenário de juros altos e crédito escasso, o produtor pode, com a locação, evitar mobilizar dinheiro na compra de máquinas e direcioná-lo para o aumento de produtividade na lavoura. Sem contar que, no caso da locação, se o equipamento quebra, nós fazemos a manutenção e temos outras máquinas em estoque, o que impede a interrupção do trabalho", diz Marion Karr, diretor de Negócios.
Já a oferta de seminovos é uma das novidades levada para a Agrishow. Nesse caso, a empresa disponibiliza para venda máquinas que já haviam sido locadas. Com isso, os valores caem. "É uma alternativa para aquele produtor que deseja ter a própria máquina, mas não quer ou não pode adquirir um nova", conclui Karr.