As ações europeias atingiram o maior patamar em sete semanas, com o índice STOXX 600 em alta, impulsionadas por fortes balanços de empresas como Shell, TotalEnergies e Airbus. O otimismo foi sustentado pela manutenção das taxas de juros pelo Banco Central Europeu, que alertou para riscos inflacionários causados pela energia e sinalizou nova alta em dezembro. O mercado também reagiu ao anúncio de saída de Christine Lagarde da presidência do BCE, contrastando com o pessimismo nos EUA e na Ásia.
As ações europeias fecharam esta quinta-feira em seu nível mais alto desde 8 de setembro, à medida que investidores assimilavam balanços corporativos fortes e a decisão do banco central de manter as taxas de juros inalteradas.
O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou com alta de 0,77%, atingindo 649,11 pontos.
Os mercados também avaliaram a decisão da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, de deixar o cargo, o que gerou especulações sobre sua sucessão.
O BCE manteve as taxas de juros inalteradas, mas deu indícios de um aumento em dezembro, alertando que os altos custos da energia estão alimentando os riscos de inflação.
"Acreditamos que o Banco fará apenas mais um aumento, em dezembro. Isso está alinhado com nossa expectativa de que os efeitos de segunda ordem continuarão praticamente ausentes", escreveu Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics.
Os rendimentos dos títulos públicos da zona do euro dispararam nas últimas semanas, elevando os custos de financiamento para famílias e empresas, com os rendimentos na França sendo particularmente afetados pelo aumento da dívida e pela incerteza política.
BALANÇOS IMPULSIONAM OTIMISMO
Os sólidos lucros corporativos têm servido de amortecedor contra a crescente incerteza econômica, sustentando as ações europeias em um momento em que os preços do petróleo permanecem elevados.
As ações da Shell atingiram níveis recordes depois que a gigante do setor de energia divulgou seu maior lucro trimestral desde 2022 e aumentou a recompra de ações.
A francesa TotalEnergies subiu 1,2% depois que seu lucro no terceiro trimestre mais que dobrou, para US$9,1 bilhões, impulsionado pela redução na oferta global de derivados de petróleo após a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
A Airbus subiu 2,3% depois que a fabricante de aeronaves manteve suas previsões para o ano inteiro e seus planos de produção.
Os ganhos na Europa contrastaram com o clima sombrio nos mercados dos EUA e da Ásia, depois que os resultados financeiros de duas gigantes da tecnologia, a Alphabet e a Samsung Electronics, alimentaram novas preocupações sobre o setor de inteligência artificial.
O índice pan-europeu STOXX 600 tinha alta de 0,91%, a 650,02 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times avançava 0,37%, a 10.733,82 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX subia 1,45%, a 26.077,42 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 perdia 0,00%, a 7.886,96 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib tinha valorização de 0,53%, a 50.087,48 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrava baixa de 0,10%, a 18.864,10 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 valorizava-se 1,03%, a 9.341,28 pontos.