Branco, descendente de italianos, hétero, rico e de direita. Santiago Ferette (Murilo Benício) personifica o perfil dominante na elite brasileira.
O personagem foi criado para servir de deboche da família tradicional e dos bons costumes. De repente, o controlador empresário se vê desafiado pelos dois filhos.
Lorena (Alanis Gullen) revela namorar outra mulher, Juquinha (Gabriela Medvedovsky), e Leonardo (Pedro Novaes) assume o amor por Viviane (Gabriela Loran), uma transexual.
No capítulo exibido em 24 de janeiro, o empresário teve uma síncope no meio da sala do apartamento.
Não aguentou testemunhar a herdeira ser pedida em casamento pela amada e ouvir que o filho e a futura esposa só dariam netos a ele por adoção.
Hora de adaptar conceitos
O desmaio de Ferette não foi apenas físico, mas também simbólico. Representa o colapso das tradições em um mundo cada vez com maior diversidade e o curto-circuito de valores da família que tolera diferenças apenas enquanto estão distantes.
Criada por um autor assumidamente gay (Aguinaldo Silva), ‘Três Graças’ mostra um patriarca que se orgulha de sua linhagem, do sobrenome europeu e da fortuna, porém, revela fragilidade emocional diante da simples ideia de perder o comando sobre o destino dos filhos.
A novela sugere que o maior tabu não é a orientação sexual ou a identidade de gênero, e sim a quebra de expectativas convencionais.
A mensagem, ainda que implícita, é forte: famílias que sobrevivem são as que aprendem a amar pessoas — não aparências.