Dois dos principais produtos da Globo em 2026, ‘Três Graças’ e o ‘BBB26’ estão no centro de um debate cada vez mais urgente na indústria da televisão brasileira: ainda faz sentido determinar o sucesso ou o fracasso de uma produção apenas pelo Ibope?
Embora a novela das 21h e o reality show registrem médias abaixo da expectativa, ambos demonstram força expressiva no consumo multiplataforma.
A audiência linear medida nos domicílios por amostragem, isoladamente, já não dá conta de explicar o impacto real de um conteúdo.
Na web, ‘Três Graças’ e ‘BBB26’ figuram diariamente entre os assuntos mais comentados, especialmente no X, Instagram e TikTok.
Cenas recortadas, memes, debates e reações viralizam, gerando alto engajamento e mantendo os programas em evidência mesmo fora do horário de exibição.
Esse volume de conversas espontâneas indica relevância cultural — um ativo intangível que o Ibope, sozinho, não consegue medir.
O desempenho no Globoplay é outro indicador decisivo. As produções registram números robustos de acessos, consumo sob demanda e retenção de público, ajudando a fortalecer o streaming da emissora.
Portanto, não podemos avaliar o resultado de um produto de televisão exclusivamente pelos pontos que alcança no ranking.
A audiência está cada vez mais descentralizada graças ao novo hábito de utilizar múltiplas telas em tempos distintos.
Isso não significa descartar o Ibope, mas relativizar seu peso. A medição diária continua sendo uma referência importante, porém, insuficiente para registrar essa movimentação entre televisão, streaming e redes sociais.
De certa maneira, voltamos a dar valor ao ‘boca a boca’ sobre a programação da TV, mas, desta vez, ele acontece no mundo digital.