Era uma vez uma Globo hegemônica na Copa do Mundo. Vivemos novos tempos. A concorrência é forte tanto na TV quanto na internet.
Sem Galvão (presente no canal em 11 Mundiais, de 1982 a 2022) e com o desfalque de Luis Roberto, em tratamento contra um câncer, a emissora testa o protagonismo de Everaldo Marques, 47 anos.
Ele é, sem dúvida, o narrador esportivo mais irreverente. Conhecido pelo bordão “você é ridículo”, faz do tom cômico uma marca registrada.
Representa, nesta Copa 2026, a renovação na transmissão do canal de maior audiência.
Outro destaque na Globo é Renata Silveira, 36 anos, a primeira mulher a narrar um Mundial da FIFA no Brasil.
Com uma bebê de seis meses e um filho de 13, ela simboliza o avanço feminino no futebol, a luta contra o machismo ainda tão gritante nos estádios e na imprensa esportiva e a provocação contra a torcida misógina nas redes sociais.
Enquanto isso, o SBT apresenta a tradição de Galvão (veterano entre todos os narradores, com 75 anos de idade e 13 Copas no currículo) e a estreia na locução do polemista e midiático Tiago Leifert, 46.
Sensação na Copa do Catar, em 2022, a CazéTV, de Casimiro Miguel, se agiganta: será a única a exibir todas as 104 partidas deste Mundial.
Retrata o poder crescente da internet e a importância da linguagem informal que atrai o público jovem.
O narrador principal da plataforma será Luís Felipe Freitas, 38 anos, ex-Esporte Interativo/TNT Sports. Uma inovação no fechado grupo de narradores de grandes eventos esportivos.
Mais do que uma disputa por audiência, a Copa de 2026 evidencia uma transformação histórica na maneira de consumir futebol.
Não existe mais uma única voz dominante. Em um cenário de múltiplas telas e diferentes linguagens, o Mundial deixa claro que o futuro das transmissões esportivas terá cada vez mais diversidade de estilos. Bom para o público: terá um cardápio farto de experiências a escolher.