Telejornal noturno da Globo exibido na Grande SP, o ‘SP2’ de sábado (20) teve duas jornalistas negras dividindo o estúdio, Mariana Aldano e Fernanda Carvalho.
Anos atrás, seria impensável uma escalação assim.
Poucas mulheres pretas conquistavam postos de destaque no telejornalismo.
Hoje, elas continuam longe de ser maioria no vídeo (como são na população do país), mas se veem mais representadas.
Se antes Gloria Maria e Maju Coutinho eram exceções, agora têm a companhia de outras âncoras, repórteres e comentaristas negras.
Entre elas, Aline Midlej (‘Jornal das Dez’) e Flávia Oliveira (‘Estúdio i’ e ‘Em Pauta’), que usam seu espaço privilegiado na GloboNews para estimular discussões sobre o racismo.
Em vários textos, a filósofa e antropóloga Lélia Gonzalez (1935-1994), ressaltou que o sistema de discriminação racial opera não apenas pela exclusão, mas também com a inclusão subordinada.
Em outras palavras, pretos e pretas podem ser colocados em evidência sob controle da branquitude.
Por isso, é tão importante ver na TV mulheres como Mariana, Fernanda, Maju, Aline e Flávia, com seus cabelos crespos ou volumosos, livres para ser quem são e dizer o que pensam.
Essa autonomia de profissionais negros e negras na grande mídia serve de inspiração a milhões de brasileiros, especialmente os jovens.
Amplia referências possíveis de presença, fala e protagonismo em espaços historicamente restritos à negritude, como os influentes telejornais da Globo.