Sinto nas ruas a confiança das pessoas no SBT News, diz o âncora Leandro Magalhães

À frente do News Noite, ele comenta o início do canal, a importância de ser respeitado por esquerda e direita e o risco da IA ao jornalismo

15 jan 2026 - 16h26
(atualizado às 16h26)

Responsável por grandes furos de reportagem e a condução equilibrada de debates na CNN Brasil, Leandro Magalhães agora se destaca no comando do ‘News Noite’, no SBT News.

Em conversa com a coluna, o apresentador analisa a repercussão do 1º mês do canal de notícias, revela a rotina atrás das câmeras e orienta o jovem que sonha com a carreira no jornalismo.

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"Meu objetivo no News Noite é aprofundar alguns temas necessários, trazendo elementos de bastidores", explica Leandro Magalhães
"Meu objetivo no News Noite é aprofundar alguns temas necessários, trazendo elementos de bastidores", explica Leandro Magalhães
Foto: Rogério Pallatta/SBT

Em apenas 30 dias no ar, o SBT News já conseguiu uma avaliação positiva nas redes sociais. Esperava resultado tão rápido?

A aceitação do público está sendo incrível. Eu sinto nas ruas e nas redes sociais o carinho e a confiança das pessoas. Quando eu cheguei à redação do canal, fiquei surpreso com o time. Muita gente boa reunida e feliz. De imediato, pensei: ‘essa energia boa, com certeza, vai gerar bons frutos’.

No ‘News Noite’, você está mais informal e participativo. Como avalia essa nova dinâmica diante das câmeras?

Acho que o formato ajuda e o propósito do jornal também. Meu objetivo no News Noite é fazer o resumo dos principais fatos do dia, aprofundar alguns temas necessários e explicar, de maneira simples, o que aquela determinada notícia pode provocar no mundo, na política, na economia e no dia a dia dos brasileiros. Sempre contextualizando e trazendo elementos de bastidores que não são falados ou publicados com a notícia. Assim, a gente consegue traduzir um assunto espinhoso e explicar o que está por trás de uma informação sem ser enfadonho. Isso me deixa mais à vontade.

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Participa da definição das pautas do telejornal? Como é sua rotina de preparação até ir para o estúdio do ‘News Noite’?

O jornal vai ao ar às 20h30. Mas eu começo às 8h30, lendo os principais jornais do país e alguns lá de fora. Pela manhã, converso com fontes de Brasília para ter ideia do que pode acontecer, saber o desdobramento de um fato, confirmar se realmente um assunto procede ou não. Dessas conversas, sempre surge um assunto novo que avalio escrever e publicar. Quando surge uma ideia de entrevista ou de pauta, compartilho com o editor-chefe do jornal, Guilherme Zwetsch, um excelente parceiro, por sinal. A gente analisa e decide se coloca no espelho (o roteiro do telejornal), que pode mudar em cima da hora, já que uma notícia pode surgir e alterar tudo o que havíamos planejado. Essa é a dinâmica em um canal all news.

O âncora do 'News Noite' diz que começa a se preparar no início da manhã para conduzir o telejornal no horário nobre
Foto: Rogério Pallatta/SBT

Sente-se atingido pela pressão das redes sociais contra jornalistas de TV, a fim de que se definam à direita ou à esquerda no espectro político?

Não me sinto. Quando estou exercendo minha profissão, não compete a mim tomar partido, defender uma ideologia e muito menos ser militante. O público não quer isso. Pelo contrário, ele quer se informar, saber dos fatos. A forma como a notícia é consumida no Brasil mudou. Quando se trata de noticiário político, eu não posso querer influenciar quem consome a notícia. Esse não é o meu papel. Devemos dar o fato, apresentar diferentes opiniões com a presença de comentaristas, e a pessoa vai tirar sua própria conclusão. Penso assim. Em um país dividido como o nosso, qual é o meu papel como jornalista que cobre política? Noticiar o fato e dar voz para os dois lados, sem me meter defendo lado A, nem lado B. Essa é a nossa função. Tratar com respeito políticos da esquerda à direita é o básico. Eu sinto que o público já percebeu esse meu perfil e, por causa disso, recebo muita mensagem de carinho, aprovação e reconhecimento do meu trabalho, tanto da esquerda quanto da direita.

Vem aí mais eleição presidencial com o país polarizado, e agora temos fake news potencializadas por Inteligência Artificial. Na sua visão, qual o papel do telejornalismo nesse cenário perigoso?

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Todo cuidado é pouco. Não podemos ser enganados por declarações ou informações vindas de IA. Agora, mais do que nunca, o trabalho árduo de apuração e checagem da informação tem que ser redobrado. Nós informamos e, por isso, não podemos confiar em publicações aleatórias de redes sociais. Checar uma informação com a fonte primária é fundamental.

O 'News Noite' se tornou nova fonte de informação e análise, especialmente sobre política e economia
Foto: Rogério Pallatta/SBT

Qual sua dica a um jovem jornalista que se espelha em você e sonha chegar ao posto de âncora de telejornal?

Fiz essa mesma pergunta quando eu tinha 13 anos e já desejava ser jornalista. Um grande colega, âncora da TV Globo Recife, Hugo Esteves, me disse: ‘você precisa ter talento e perseverança’. Talento eu não sabia se tinha. E o significado de perseverança eu não sabia na época e fui atrás. Descobri que, com perseverança, podemos construir o talento aos poucos. Eu mantenho esse conselho dele e acrescento mais quatro. 

Quais são?

Primeiro, temos que respeitar a notícia e a fonte, independente de suas ideologias. Não podemos brincar com a notícia, gostando ou não dela. Segundo, ter paciência e prudência quando temos que checar uma informação. Às vezes, é difícil e muito cansativo ouvir várias fontes para confirmar algo. Mas isso faz parte do processo. Se tenho uma informação exclusiva nas mãos, preciso estar ciente de que tenho a responsabilidade para divulgar algo bem checado e bem apurado. Terceiro, tem que gostar de ler, de história, de português e, sobretudo, gostar de ouvir pessoas. Quarto, ter sensibilidade e bom senso. Sensibilidade para o jornalista é fundamental. É a sensibilidade que nos ajuda a captar fatos novos, e o bom senso é o nosso guia para não ultrapassar o nosso limite como jornalista.

"O jornalista precisa gostar de ouvir pessoas", afirma o âncora Leandro Magalhães
Foto: Rogério Pallatta/SBT
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