A GloboNews estreou uma reformulação na programação e novos cenários. As novidades fazem parte das comemorações por seus 30 anos no ar.
No primeiro momento, a impressão é de que os velhos problemas foram apenas maquiados.
O maior deles está no pouco espaço para uma visão fora do campo progressista sobre a política, a sociedade e o mundo.
A maioria dos jornalistas do canal tem discurso à esquerda.
A exceção explícita é Joel Pinheiro, um liberal, atacado algumas vezes por colegas contrariados.
Demétrio Magnoli se declarou esquerdista na ‘Gazeta do Povo’, mas também apresenta importante contraponto em vários debates.
Aliás, justamente por se recusar à concordância automática com a maioria, costuma protagonizar discussões acaloradas.
Há ainda Merval Pereira, antes visto como bastião do pensamento de direita e porta-voz da família Marinho nos telejornais da emissora.
Desde os ataques de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, ele está mais ao centro no espectro político.
Dispara frequentemente críticas contra a família Bolsonaro e já elogiou Lula em algumas ocasiões.
Um canal de TV pode ter linha editorial assumidamente de um lado, como a CNN norte-americana anti-Trump, mas precisa oferecer o contraditório.
No Brasil, cresce o público à direita. Ignorá-lo é jornalisticamente incorreto e pode ser um suicídio comercial.
Não se pede para ecoar eventuais preconceitos, erros históricos e discursos antidemocráticos presentes em setores da direita.
Mas de reconhecer que existe um amplo contingente de brasileiros conservadores, liberais e de centro-direita com ideias que podem ser representadas por analistas qualificados.
Cabe ao jornalismo profissional informar que a direita clássica, moderada, comprometida com a democracia, a economia de mercado e o respeito às instituições não pode ser tratada como uma extensão do extremismo.
Um canal de notícias ganha mais credibilidade quando expõe o público a um debate amplo, com opiniões divergentes.
As recentes mudanças deixaram a GloboNews mais bonita. Falta sair da bolha para dialogar com todos os brasileiros.