Enquanto a maioria das emissoras, inclusive a Globo, tirou humorísticos da programação, o SBT manteve ‘A Praça é Nossa’. Resultado: é uma das maiores audiências do canal.
Agora, a TV do clã Abravanel investe no ‘Comédia SBT’, sob o comando de Victor Sarro e Rodrigo Capella, dois talentos com experiência de palco e tela.
Na segunda-feira (29), às 23h, será exibido um novo episódio. Os apresentadores conversaram com a coluna sobre a atração e o impacto do politicamente correto na liberdade dos humoristas.
Como é voltar a fazer humor na TV aberta em um momento de pouco espaço aos comediantes?
Rodrigo Capella: “O SBT sempre revelou grandes nomes no humor e também foi casa dos maiores humoristas do Brasil. Fazer parte dessa história em uma época em que nada pode, tudo ofende, é uma oportunidade para poucos. Somos muito gratos pelo espaço, pela confiança e pela liberdade que estão dando para gente fazer o que acredita que está faltando para o público de hoje.
Victor Sarro: “Conquistar esse espaço com essa liberdade é para poucos! Estou muito feliz e preciso agradecer ao SBT todos os dias!”
Vocês se preocupam com o politicamente correto para evitar o cancelamento?
Rodrigo Capella: “De todos esses anos que trabalhamos com comédia e com o público, hoje eu entendo que quem adota a política do cancelamento nunca é quem assiste ao programa. É sempre alguém querendo chamar atenção. Brincamos com tudo e com todos de maneira livre e ácida. Não temos preconceito, então não tem como plantar batata e colher cenoura".
Victor Sarro: “Zero preocupação! Estamos fazendo um humor pra quem gosta de comédia raiz”.
Opinião da coluna:
A presença do humor na TV aberta é mais do que entretenimento leve: trata-se de um serviço cultural relevante para o público. Em uma rotina marcada por pressões econômicas, excesso de informação e ansiedade cotidiana, programas humorísticos funcionam como uma válvula de escape coletiva, oferecendo momentos de descontração e alívio.
Ao investir em atrações do gênero, o SBT reconhece uma demanda histórica da televisão brasileira: a de reunir famílias diante da tela para rir, relaxar e se reconectar com experiências comuns.
Além do escapismo, o humor exerce papel fundamental como ferramenta de crítica social. A comédia brasileira sempre refletiu costumes, tensões políticas e transformações culturais, muitas vezes dizendo o que outros formatos não conseguem expressar com a mesma liberdade.
É evidente que temas sensíveis exigem cuidado e responsabilidade, especialmente em uma sociedade diversa. No entanto, a preocupação legítima com respeito não pode se transformar em um ambiente de medo que paralise a criação artística.
A cultura do politicamente correto corre o risco de limitar a espontaneidade e a irreverência que são essenciais ao humoristas. Defender a liberdade deles — sem abrir mão da empatia — é preservar a própria função social da comédia: provocar, incomodar quando necessário e, acima de tudo, permitir que o público ria de si mesmo e do mundo ao redor.