Durante a participação em uma prova de resistência do Big Brother Brasil, o ator Henri Castelli teve uma crise epiléptica. Levado ao hospital para exames, ele teve um segundo episódio ao retornar à casa e, por orientação médica, deixou o programa.
Os acontecimentos com o participante tomaram as redes sociais e geraram dúvidas sobre a condição.
O neurologista e especialista em epilepsia Lécio Figueira explica que a crise epiléptica é qualquer manifestação, física ou subjetiva, de alteração do funcionamento cerebral.
"Como essa alteração pode ser localizada, mais ampla ou atingir todo o cérebro, dependendo da região afetada, o paciente pode apresentar tipos diferentes de crises", diz.
No caso do ator, o quadro apresentado foi o de crise tônico-clônica, em que todo o cérebro é atingido por um "curto-circuito", segundo Figueira. Nesse tipo de crise, os sinais são perda de consciência, queda e movimentos involuntários intensos, além de possibilidade de mordida na língua, salivação excessiva e perda urinária.
Uma crise isolada, no entanto, não caracteriza epilepsia.
O quadro pode ser investigado como epilepsia quando a pessoa apresenta duas ou mais crises, com intervalo superior a 24 horas entre elas, ou quando há alto risco de recorrência, de acordo com a neurologista Liz Rebouças, da UPA Vila Santa Catarina, unidade gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita.
"A investigação sempre é indicada em pacientes que nunca tiveram crise epiléptica e também naqueles com episódios recorrentes ou prolongados", afirma a médica.
O que causa uma crise?
No caso de uma crise isolada, é comum que o episódio esteja relacionado a uma causa pontual e reversível, como hipoglicemia ou alterações de eletrólitos, de acordo com Liz. Os gatilhos mais comuns para as crises costumam ser privação de sono, estresse intenso, infecções e estímulos luminosos.
Segundo a médica, o esforço físico raramente desencadeia crises epilépticas. No entanto, em uma minoria de pacientes, especialmente aqueles com epilepsia associada a lesão estrutural cerebral, o esforço físico intenso pode atuar como fator precipitante.
Sintomas
Os sintomas que precedem uma crise epiléptica incluem confusão, tontura, dor de cabeça, enjoo e dor abdominal e podem surgir minutos ou horas antes do episódio.
Outros sinais que podem anteceder a crise incluem olhar fixo e movimentos repetitivos involuntários da boca, mãos e pernas.
Mas os especialistas ressaltam que nem sempre há um indício antes do início da crise, muitas acontecem de forma abrupta, sem sintoma prévio. "Em geral, quando as pessoas percebem, já é o início da crise", diz Figueira.
Em pacientes com epilepsia e crises frequentes, podem ser comuns sensações de angústia, taquicardia e ansiedade.
Fatores de risco
Ter uma crise é sempre um fator de preocupação e deve ser investigado, segundo Figueira, para descartar alterações neurológicas graves, como tumores e acidente vascular cerebral (AVC).
Crianças com menos de cinco anos, especialmente em contexto de febre, também podem ter crise. Nessas situações, os episódios podem estar relacionados à maturação cerebral, e ainda assim exigem avaliação.
Os principais fatores de risco para crise epiléptica incluem:
- lesões cerebrais estruturais (como traumatismo cranioencefálico e acidente vascular cerebral)
- tumores
- histórico familiar de epilepsia
- crises febris na infância
- infecções do sistema nervoso central
- complicações perinatais
- distúrbios metabólicos (como hipoglicemia e hiponatremia)
- uso e abuso de álcool ou drogas ilícitas
- privação de sono
- estresse intenso
Tratamentos disponíveis
No caso de pacientes com epilepsia diagnosticada, o tratamento envolve principalmente medicamentos antiepilépticos. Quando não há controle adequado das crises, a equipe pode considerar também dietas terapêuticas, cirurgia ou neuromodulação.