O que faz alguém desistir de uma grande chance na vida? Essa dúvida dificulta compreender a desistência de Marcel horas antes de entrar na casa do ‘BBB26’.
Uma certeza se apresenta: ele estava em sofrimento emocional. Ficou visível na participação ao vivo no ‘Esporte Espetacular’, domingo (11), quando ainda estava na ‘Casa de Vidro’ do Sudeste.
Questionado por Tadeu Schmidt sobre a ideia de desistir, o advogado mineiro recuou, porém, suas expressões facial e corporal demonstraram desconforto e insegurança.
Talvez, ele voltou atrás e seguiu na dinâmica por vergonha de pedir para sair em rede nacional, temendo o implacável julgamento público.
Mas as dores invisíveis se impuseram e Marcel teve outra crise nesta segunda-feira (12). Fora da competição diante das câmeras, Marcel agora deve encarar um desafio maior e mais importante: cuidar da saúde mental.
Homem deve chorar — para evitar o pior
O sofrimento emocional masculino costuma ser vivido em silêncio — e, muitas vezes, pago com a própria vida.
Em uma sociedade historicamente machista como a brasileira, o menino é educado desde cedo a reprimir emoções e não demonstrar qualquer traço de fragilidade.
Cresce com medo de ser interpretado como fraco e fracassado. Chorar, admitir sofrimento psíquico e pedir ajuda não são vistos como gestos humanos, mas sinais que colocariam sua masculinidade em xeque.
O resultado são gerações de homens que não aprendem a nomear o que sentem, muito menos a expressar angústias, medos e frustrações.
Uma falta de autoconhecimento assustadora. Um silêncio perigoso.
Depressão, ansiedade e crise existencial afetam homens e mulheres, mas, entre eles, costumam permanecer invisíveis. O ‘macho’ precisa dar conta sozinho.
A consequência desse isolamento é grave. No Brasil, como em boa parte do mundo, os homens lideram de forma alarmante as estatísticas de suicídio.
Não porque sofram mais do que as mulheres, mas porque pedem menos ajuda. Quando o sofrimento se acumula sem válvula de escape, sem escuta e sem acolhimento, o desfecho pode ser trágico.
O suicídio, nesses casos, surge como o grito de quem nunca se sentiu autorizado a falar.
Homens emocionalmente reprimidos tendem a adoecer, a se afastar de vínculos afetivos profundos e, em alguns casos, a externalizar frustrações por meio da agressividade.
Falar de saúde mental masculina não é relativizar privilégios históricos proporcionados pela sociedade patriarcal, e sim reconhecer que o machismo também produz vítimas — inclusive entre aqueles que, em tese, seriam seus beneficiários.
Romper esse ciclo exige uma mudança cultural. Significa ensinar, desde cedo, que sentir-se mal não diminui ninguém. Que pedir ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. Que masculinidade não se mede pela capacidade de suportar a dor em silêncio, mas pela honestidade consigo mesmo e com os outros.
Tomara que Marcel trate seus medos e suas limitações e fique bem.
Atenção: em caso de sofrimento emocional, você pode ligar gratuitamente para 188. Os atendentes do CVV (Centro de Valorização da Vida) estão disponíveis 24 horas para conversar, sem julgamentos ou críticas, respeitando os sentimentos de quem procura ajuda. Busque tratamento especializado com psicólogo ou psiquiatra para garantir sua saúde mental.