Duramente criticada por Lula até a campanha presidencial de 2022, a Globo se tornou a maior beneficiada das verbas de publicidade do governo federal no terceiro mandato do petista.
Segundo levantamento do portal Poder360, a emissora recebeu R$ 462 milhões por compra de espaço nos intervalos da programação entre 2023 e 2025.
O número é expressivo em termos absolutos, mas perde relevância quando comparado à escala financeira do maior grupo de mídia do país.
Ao contrário do discurso recorrente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, de que a família Marinho vive dos “bilhões” do governo de esquerda, o dinheiro da Presidência da República e das estatais tem pouco impacto no faturamento e no lucro da companhia carioca.
Somando os dados de 2023 e 2024, a administração petista direcionou R$ 345,3 milhões em verba de propaganda à Globo.
No mesmo período, o grupo acumulou R$ 31,5 bilhões em receitas (de acordo com matéria do ‘Valor’, jornal do grupo), somando publicidade, vendas e prestação de serviços. A verba oficial, portanto, representou apenas 1,1% do faturamento do conglomerado no biênio.
Esse montante teria potencial para alterar de forma significativa a saúde financeira de emissoras como Record ou SBT, cujas entradas de caixa são muito menores. No caso da Globo, porém, o peso é baixo e está longe de ser determinante para o resultado contábil.
Somente o ‘Big Brother Brasil’ faturou — pelas estimativas de mercado — cerca de seis vezes mais (R$ 2 bilhões) do que a administração lulista investiu na Globo em 2023 e 2024.
Os indicadores oficiais ajudam a dimensionar a participação real da verba pública dentro do modelo de negócios da Globo: bem menor do que sugerem discursos políticos e teorias conspiratórias disseminadas nas redes sociais.