A morte de Manoel Carlos encerra um relevante capítulo da história da teledramaturgia brasileira.
Sem ele, fica ainda menor o grupo de grandes autores da Globo ainda vivos — e a maioria deles não trabalha mais para a emissora.
Confira o que aconteceu com alguns dos geniais noveleiros da velha guarda.
Manoel Carlos - Escreveu grandes sucessos, a exemplo de ‘Presença de Anita’, ‘História de Amor’, ‘Por Amor’ e ‘Laços de Família’. Após a rejeitada ‘Em Família’, de 2014, não emplacou nenhum outro projeto na emissora. Deixou obras inéditas. Sua marca registrada era a poesia do cotidiano e o destaque à força do feminino. Morreu aos 92 anos em 10 de janeiro.
Gilberto Braga - Mestre da sofisticação, ele retratava como ninguém a sofisticação e os podres da elite do país. Entre seus melhores trabalhos estão ‘Dancin’ Days’, ‘Vale Tudo’, ‘O Dono do Mundo’ e ‘Celebridade’. A apedrejada ‘Babilônia’, de 2015, o afastou da Globo. Morreu em outubro de 2021, aos 75, chateado pelos projetos ignorados pelo canal.
Gloria Perez - A mulher mais bem-sucedida na teledramaturgia brasileira nas últimas quatro décadas. Suas novelas anteciparam a discussão de temáticas contemporâneas (barriga de aluguel, clonagem humana, namoro virtual) e lançaram relevantes campanhas sociais, como a busca por pessoas desaparecidas. Dela, são ‘O Clone’, ‘Caminho das Índias’, ‘De Corpo e Alma’, ‘Desejo’ e ‘A Força do Querer’. Decidiu sair da emissora em 2025, após reclamar da interferência numa novela que abordaria violência sexual e aborto. Está com 77 anos.
Lauro César Muniz - ‘O Salvador da Pátria’, ‘Chiquinha Gonzaga’ e ‘Mandala’ estão entre suas melhores criações. Após anos na Record, retornou à Globo em 2015. Chegou a supervisionar uma novela que iria ao ar na faixa das 18h, mas o projeto foi cancelado e ele acabou dispensado na sequência. Com 87 anos, está aposentado da TV.
Benedito Ruy Barbosa - Autor de fenômenos de audiência que se tornaram clássicos na emissora, como ‘Renascer’, ‘O Rei do Gado’ e ‘Terra Nostra’. Seu último texto produzido foi o da novela ‘Velho Chico’, em 2016. Problemas de saúde o afastaram da escrita. Aos 94 anos, vive tranquilamente numa propriedade rural.
Silvio de Abreu - Rei da comédia, fez ‘Vereda Tropical’, ‘Guerra dos Sexos’, ‘Cambalacho’ e ‘Sassaricando’ às 19h. Na faixa das 9, assinou sucessos como ‘Rainha da Sucata’ e ‘A Próxima Vítima’. Parou de escrever depois de ‘Passione’, de 2010. Na sequência, foi diretor de Teledramaturgia Diária da Globo por seis anos, até deixar a empresa em 2020. No ano passado, reinventou-se como produtor executivo do sucesso ‘Beleza Fatal’, novela curta da HBO Max. Está com 83 anos.
Aguinaldo Silva - No momento, escreve ‘Três Graças’. Voltou à Globo após ser demitido em 2020, quando havia completado 41 anos na emissora. Tem no currículo os clássicos ‘Roque Santeiro’, ‘Vale Tudo’, ‘Tieta’ e ‘Senhora do Destino’. É famoso pela ironia politicamente incorreta e a crítica social. Tem 82 anos.
Ressalte-se ainda a morte de Dias Gomes (‘Roque Santeiro’, ‘Mandala’, ‘O Fim do Mundo’) em 1999; e de Cassiano Gabus Mendes (‘Champagne’, ‘Meu Bem Meu Mal’) em 1993. Os dois escreveram menos que os colegas para a faixa das 21h, mas também deixaram seu nome na história das novelas.