Ao não exibir o capítulo de ‘Quem Ama Cuida’ nesta quinta-feira (1º) para transmitir ao vivo o debate com presidenciáveis, a Globo deve deixar de faturar entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões com comerciais nos intervalos e ações de merchandising.
Pode parecer um grande prejuízo, mas, na verdade, a emissora lucra com a decisão editorial a partir do prestígio extra atrelado à estratégia.
Com início 1 hora mais cedo (das 21h30 à 0h20), o confronto de candidatos permitirá que mais brasileiros comparem as propostas e explicações daqueles que ambicionam comandar o país.
O cidadão que acorda cedo para trabalhar não conseguia acompanhar a íntegra ou a maior parte do debate nas eleições anteriores, quando começava às 22h30 e se estendia até 1h40.
Aprove-se ou não o jornalismo da Globo, é necessário reconhecer a importância dessa iniciativa que vai mostrar os presidenciáveis fora da zona de conforto e pode ajudar os indecisos a definir seu voto.
O massivo interesse pelo debate na Globo serve para renovar o respeito pela TV aberta, que sofre um processo de subestimação devido à ascensão das redes sociais.
Candidatos e partidos são obrigados a reconhecer que a velha televisão ainda é o mais eficiente cabo eleitoral, com alcance em todo o país, até nos lugares onde a internet ainda não chegou.
Para a Globo, o debate significa a reafirmação como maior e mais importante emissora. Massivamente criticada pela esquerda na eleição de 2018 e pela direita no pleito de 2022, desta vez o canal está mais respeitado por todos os lados do espectro político.