A notícia do reajuste salarial para jornalistas da Globo, com Renata Vasconcellos passando a ganhar R$ 1 milhão por mês, ressalta uma inversão de prestígio na emissora.
Hoje, os apresentadores de telejornal têm mais status do que os atores de novelas, que sofreram queda significativa na remuneração.
Antes, era comum um ator global receber R$ 100 mil por mês. Os do 1º time — a exemplo de Tony Ramos, Gloria Pires e Fernanda Montenegro — estavam na faixa entre R$ 250 mil e R$ 350 mil.
Os tempos mudaram.
A Globo acabou com a política de contratos longos para equilibrar suas contas e aumentar o lucro. Resultado: vínculo por ‘obra certa’, com data de começo e fim (geralmente, menos de 12 meses) e salário menor.
Atualmente, a maioria dos artistas ganha de R$ 50 mil a R$ 80 mil na emissora. Para definir o valor, são considerados o tempo de casa, o histórico salarial e a importância do personagem.
Antes, o canal aceitava pagar fortunas porque acreditava que a fama do ator era suficiente para garantir a audiência da novela ou série.
A crescente migração de público para as plataformas de streaming e a internet (onde quem reina são os influenciadores que nunca fizeram TV), tirou popularidade dos galãs e das mocinhas.
Já os apresentadores de notícias estão em alta devido à recuperação do prestígio do jornalismo profissional, usado para combater a indústria da desinformação.
Relatórios divulgados pela auditoria Deloitte, a empresa de aferição de audiência AGF e o Reuters Institute indicam que o interesse do público que ainda se mantém fiel à TV aberta está relacionado com o acesso a informações confiáveis e transmissões ao vivo.
Esse voto de confiança do telespectador explica o reforço da Globo, por meio de aumento salarial, na valorização de profissionais bem-avaliados pelo público, como a âncora do ‘Jornal Nacional’, que aparece na lista ‘100 +Admirados Jornalistas Brasileiros’ há mais de uma década.