Brigido, de 34 anos, morador de Manaus, mal apareceu na Casa de Vidro do BBB 26 e já virou assunto fora dela. Representante da região Norte na disputa por uma vaga no reality, o engenheiro de produção, empresário e diretor de uma escola fundada pela família há 41 anos chamou a atenção do público por um detalhe: ele é integrante do movimento Legendários.
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O grupo ganhou notoriedade em 2025 após se tornar alvo de polêmicas. Os Legendários se apresentam como um movimento cristão exclusivo para homens, com a proposta de promover uma "transformação" pessoal e familiar por meio de retiros intensos realizados em meio à natureza.
Na prática, os encontros funcionam como uma imersão de até quatro dias longe da família e da vida urbana. Há pregações religiosas, exercícios físicos puxados, trilhas pesadas, suor, gritos e desafios que, segundo o grupo, buscam "resgatar a masculinidade". Durante as 72 horas de retiro, não é permitido o uso de celular, e os participantes precisam carregar mochilas que podem chegar a 14 quilos, com barracas, sacos de dormir e suprimentos básicos.
Criado na Guatemala, o movimento se espalhou por 13 países ao redor do mundo. Além dos desafios voltados aos homens, há ações sociais, eventos para pais e filhos e experiências descritas como de "empoderamento matrimonial", assim como retiros para solteiros.
No Brasil, o Legendários tem atraído cada vez mais curiosos -- e famosos. Além de Eliezer, o grupo já contou com a participação de nomes como Gustavo Tubarão, Thiago Nigro, o Primo Rico, Neymar pai e Kaká Diniz, marido da cantora Simone Mendes. Os valores para participar variam bastante: há pacotes a partir de R$ 450, enquanto experiências mais completas podem ultrapassar R$ 81 mil. Um retiro de quatro dias, por exemplo, custa cerca de R$ 81.500, e as vagas costumam se esgotar rapidamente.
Nas redes sociais, críticas surgem aos montes. Internautas questionam se é preciso "subir a montanha" para aprender que relações extraconjugais são imorais. Além disso, debocham dos valores altos pagos apenas para sofrerem com mosquitos, calor e o chão duro da barraca.
Também há relatos de que integrantes do grupo teriam deixado lixo em áreas de proteção ambiental e invadido uma região de forma irregular em Minas Gerais. Outro ponto recorrente no debate é o tipo de masculinidade defendida pelo movimento e se ela reforça papéis de gênero tradicionais -- sem sequer a presença ou opiniões efetivas de mulheres.