Nos últimos anos, uma parcela do público reclamava de competidores muito preparados no ‘BBB’ e pedia pela volta do ‘reality raiz’.
Boninho oferece isso com ‘Casa do Patrão’, exibido na Record e no Disney+.
O elenco foi formado com 100% de desconhecidos, com pouco engajamento nas redes sociais. ‘Gente como a gente’, do jeito que os saudosistas queriam.
Mas, então, por que nota-se pouco interesse pelo programa, que marcou apenas 3.8 pontos de média em sua primeira semana no ar?
Há uma teoria: a ausência de artistas com longa carreira e subcelebridades ‘lacrativas’.
O ‘Big Brother Brasil’, com seus veteranos e Camarotes, e os famosos polêmicos de ‘A Fazenda’, despertam muita curiosidade.
Todo mundo quer vê-los expostos no jogo, conhecer mais do que pensam, torcer a favor ou contra, defendê-los ou cancelá-los.
‘Casa do Patrão’ chega sem personalidades da mídia, apenas com cidadãos anônimos. É natural haver um estranhamento.
Sem figuras já conhecidas, o público perde um dos principais gatilhos de engajamento imediato: a referência.
No ‘Big Brother’ e em ‘A Fazenda’, existe um repertório prévio. O telespectador já começa com memórias acumuladas e opinião formada (ainda que possa mudá-la ao longo da competição).
Isso acelera a conexão emocional. Em ‘Casa do Patrão’, tudo precisa ser construído do zero, e isso exige tempo. E ganhar tempo para se consolidar é algo cada vez mais difícil para uma atração nova na TV aberta.
Além disso, há outro fator importante: o comportamento do próprio público mudou. Perdeu a paciência. Quer consumir narrativas rápidas, polarizadas e amplificadas nas redes sociais.
Participantes anônimos tendem a demorar mais para se posicionar com clareza. A maioria evita conflitos diretos no início, o que pode ser interpretado como falta de carisma ou medo de jogar.
Essa dificuldade de se identificar com os competidores e a demora em ver o reality engrenar podem fazer o telespectador desistir do programa e procurar um entretenimento mais dinâmico.