Carlos Castro era um dos mais famosos cronistas sociais de Portugal. Escrevia para jornais e revistas, tinha coluna na TV, produzia eventos luxuosos.
No dia 7 de janeiro de 2011, ele foi encontrado sem vida na suíte 3416 do Hotel Intercontinental, em Nova York.
O corpo estava nu, no chão. Os testículos haviam sido removidos com um saca rolha. O rosto estava deformado por golpes de garrafa e chutes.
Nenhuma dúvida sobre o autor do homicídio: era Renato Seabra, que havia conhecido Carlos há menos de três meses no Porto. Com diferença de idade de 44 anos, os dois mantinham um romance secreto.
A trama com final violento, que chocou os portugueses e teve grande repercussão na televisão dos Estados Unidos, é narrada em detalhes no podcast ‘Os Ficheiros do Caso Carlos Castro’, disponível em serviços de streaming de áudio e no YouTube.
Amor, sexo, ódio, insanidade
Poucos dias após o início do relacionamento, o jornalista, de 65 anos, disse a amigos que havia finalmente encontrado o grande amor de sua vida.
Antes de aterrissarem em Nova York, levou o jovem para Londres e Madrid, onde comprou roupas caras para ele.
O rapaz, de 21 anos, não manifestava a mesma empolgação amorosa: na verdade, tinha apenas o desejo de ser modelo e viu a oportunidade de ser ajudado por alguém influente.
Relações desse tipo, baseadas em alguma troca de interesse — sexo, dinheiro, status, suporte emocional — são comuns e não surpreendem a ninguém. Mas, então, o que deu errado?
Pela reconstituição feita pelo podcast, Carlos Castro descobriu que o namorado conversava com mulheres pelo celular e teve um ataque de ciúme.
O aspirante a modelo, por sua vez, teria tido algum tipo de instabilidade emocional que o deixou extremamente violento.
Ou seja, uma tragédia resultante de passionalidade e um possível surto psicótico.
No tribunal, o juiz definiu o caso como “um exemplo arrepiante de manifestação de desumanidade entre duas pessoas”.
Renato Seabra foi condenado a uma pena de 25 anos a perpétua (ainda não definida) e continua preso nos Estados Unidos. Dias atrás, a imprensa de Portugal revelou que sua defesa prepara um recurso.
Ele, que ficou em silêncio no julgamento, teria manifestado a vontade de ser ouvido agora, 15 anos após o crime, com o objetivo de tentar reverter a sentença.