O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, entrou na Justiça contra a Band pedindo uma indenização milionária.
Na ação, o ex-jogador acusa a emissora de perseguição por causa de uma série de reportagens exibidas ao longo dos anos e alega que a exposição prejudicou sua vida profissional.
A apresentadora Catia Fonseca também foi incluída como ré no processo.
O pedido de R$ 4 milhões
O valor solicitado é o ponto que dá dimensão ao processo. Bruno mira uma reparação alta.
O ex-goleiro pede uma indenização de R$ 4 milhões por danos morais e violação de direito de imagem.
A ação tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Cabo Frio, vinculada ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), e tem como alvo tanto a emissora quanto a apresentadora que comandava o programa citado.
A acusação de perseguição da Band
O centro do argumento de Bruno está na forma como a emissora tratou seu caso ao longo do tempo. Ele se diz alvo de uma campanha.
Segundo o ex-goleiro, uma série de reportagens exibidas desde 2022 no programa Melhor da Tarde teria explorado sua imagem e os fatos relacionados à morte de Eliza Samudio, configurando perseguição.
Ele sustenta ainda que as matérias ultrapassaram os limites do direito de informação e que a exposição promovida pela emissora trouxe consequências negativas, dificultando suas chances de conseguir novos trabalhos e prejudicando seu processo de ressocialização.
As críticas de Catia Fonseca
A inclusão da apresentadora no processo tem motivo específico. Bruno se sentiu atingido por comentários feitos ao vivo.
Catia Fonseca, que deixou a Band em 2025, aparece como ré porque teceu críticas contundentes ao ex-goleiro durante o período em que apresentava o Melhor da Tarde.
Segundo o processo, o teor dessas críticas prejudicou o ex-jogador.
Atualmente, o programa é comandado por Leo Dias, Chris Flores e Thiago Pasqualotto, e no início do ano voltou a abordar a relação conturbada de Bruno com o filho.
Uma batalha judicial que já vem de antes
Esta não é a primeira vez que o ex-goleiro recorre à Justiça contra a emissora. Ele já havia tentado outras medidas.
Bruno já havia pedido que fosse proibida qualquer menção ao seu nome no Melhor da Tarde e a exibição de novas reportagens sobre o caso pela Band. Os pedidos, porém, foram negados pela Justiça.
A juíza Juliana Gonçalves Figueira entendeu que a liberdade de expressão deve prevalecer, salvo quando houver conteúdo comprovadamente falso ou criminoso, e considerou que não havia risco que justificasse a retirada das publicações.
O argumento da liberdade de imprensa
A decisão anterior da Justiça trouxe uma ponderação importante sobre o caso. A condição de figura pública pesou na análise.
Ao negar os pedidos anteriores, a magistrada destacou que Bruno é uma pessoa pública e que o processo criminal envolvendo a morte de Eliza Samudio teve ampla repercussão midiática.
Segundo ela, é natural que as circunstâncias do caso retornem eventualmente ao noticiário, com notícias e especulações, o que, por si só, não é ilegal.
A juíza reconheceu o tom pejorativo de uma das matérias, mas entendeu que isso não configurava, naquele momento, risco que justificasse a censura do conteúdo.
Relembre o caso
Bruno Fernandes, ex-goleiro do Flamengo, foi condenado a 22 anos e um mês de prisão por homicídio qualificado no caso do assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010, um dos crimes de maior comoção nacional da última década.
O ex-jogador atualmente cumpre pena e, ao longo dos anos, tem tentado retomar a carreira no futebol.
O processo agora segue seu trâmite na Justiça do Rio de Janeiro, e caberá ao Judiciário avaliar os argumentos das duas partes, ponderando o direito de imagem do autor e a liberdade de imprensa da emissora.