O novo plano de Globo, Record, SBT e Band para enfrentar o streaming

As quatro maiores redes de TV aberta do país, como Globo, SBT, Record e Band, trabalham juntas em uma frente pouco visível ao telespectador, mas decisiva: garantir espaço obrigatório no controle remoto. A articulação quer transformar em obrigação o botão de acesso direto à TV aberta nos aparelhos vendidos no Brasil. O alvo declarado é […]

14 ago 2026 - 14h47

As quatro maiores redes de TV aberta do país, como Globo, SBT, Record e Band, trabalham juntas em uma frente pouco visível ao telespectador, mas decisiva:

Globo e mais emissoras da TV aberta sentem impacto do streaming. (Imagem: Divulgação - Record - Globo - SBT - Prime Video / Montagem - RD1)
Globo e mais emissoras da TV aberta sentem impacto do streaming. (Imagem: Divulgação - Record - Globo - SBT - Prime Video / Montagem - RD1)
Foto: RD1 / RD1
  • garantir espaço obrigatório no controle remoto.

A articulação quer transformar em obrigação o botão de acesso direto à TV aberta nos aparelhos vendidos no Brasil.

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O alvo declarado é o streaming e, por trás dele, as fabricantes de televisores que organizam a tela inicial dos aparelhos.

O problema que uniu as rivais, incluindo a Globo

Nos controles remotos dos aparelhos modernos, os atalhos apontam apenas para plataformas como YouTube, Disney, Netflix e Amazon.

Nenhum leva à TV aberta.

As redes alegam que os fabricantes privilegiam o streaming ao definir esses botões, deixando a radiodifusão sem qualquer indicação física no aparelho.

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Executivos das emissoras já falavam publicamente do risco de a TV aberta se tornar um app entre centenas.

O argumento central é jurídico: TV aberta é concessão pública e gratuita, e por isso deveria ter posição privilegiada no acesso.

A disputa deixou de ser entre Globo, Record, SBT e Band e passou a ser das quatro contra as big techs que controlam esse espaço.

Globo: a queixa do público que sustenta a TV aberta

O segundo argumento é de uso.

Segundo as emissoras, o telespectador pouco familiarizado com os comandos das televisões conectadas tem dificuldade real para localizar os sinais da TV aberta, como a Globo.

Pesquisas feitas pelas próprias redes apontam concentração de queixas no público mais velho da classe C, hoje considerado o alvo principal da televisão aberta.

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É a fatia que cresceu trocando de canal por número e que não recebeu nenhuma pista visual do novo caminho até a programação.

O que já está garantido

Parte da batalha foi vencida em agosto de 2025, quando o decreto que regulamentou a TV 3.0 foi assinado.

O texto determina que os receptores do novo padrão tenham botão dedicado no controle remoto para acessar o catálogo de aplicativos da DTV+.

Outro botão fica reservado à troca rápida entre aplicativos, para preservar a cultura do zapeamento.

O catálogo pode reunir até 40 ícones visíveis, com posição preservada para os canais públicos.

Por que isso ainda não basta

A regra vale só para aparelhos e conversores compatíveis com a TV 3.0, tecnologia que começou a chegar às capitais neste ano.

A implantação completa pode levar até 15 anos, e o parque instalado de televisores segue sem qualquer obrigação semelhante.

É essa lacuna que as emissoras querem fechar.

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A conta que motiva a pressa

A modernização exigida pela TV 3.0 é caríssima: estimativas do setor apontam entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões em 15 anos.

Investir nessa escala só se justifica se o telespectador continuar encontrando a TV aberta com facilidade no aparelho.

PANORAMA E REGULAMENTAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DA TV 3.0
FRENTE SITUAÇÃO STATUS
Botão nos aparelhos de TV 3.0 Já previsto em decreto de agosto de 2025 REGULAMENTADO
Botão em todos os controles remotos Em articulação pelas emissoras EM NEGOCIAÇÃO
Prazo de implantação da TV 3.0 Até 15 anos CRONOGRAMA
Investimento estimado no setor Volume total de aportes previstos para a transição R$ 9 bi a R$ 11 bi DESTAQUE
Aporte Financeiro do Setor Estimativa de investimentos entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões ao longo do período de implantação de até 15 anos
Fonte: Ministério das Comunicações e Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital | Sujeito a alterações
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