“A Globo vive a nostalgia de achar que ainda comanda a opinião pública”, diz ex-repórter do canal

Heloísa Villela analisa a pressão contra a emissora no caso do PowerPoint e enxerga “intencionalidade” no erro

29 mar 2026 - 09h37
(atualizado às 09h37)

Correspondente da Globo em Nova York por quase duas décadas, Heloísa Villela vê a perda de poder do canal ao analisar a forte reação contra o PowerPoint exibido no ‘Estúdio i’, de Andréia Sadi, na GloboNews (leia post em destaque).

“As Organizações Globo se esquecem que o tempo mudou, que o mundo não é mais aquele em que tinham 80% da audiência. Esse tempo acabou”, afirmou a jornalista no canal ICL Notícias, onde trabalha.

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“Hoje em dia, você tem as mídias sociais que, com todos os problemas, e que vão nos dar muitíssima dor de cabeça nessa eleição divulgando fake news, exercem um papel importantíssimo na formação da opinião pública para reagir a coisas como essa.”

Na opinião dela, a emissora ainda não se conectou a essa mudança. “A TV Globo vive a nostalgia de achar que ainda comanda a opinião pública, que hoje em dia é muito mais fracionada e tem muito mais meios de você pressionar uma empresa como a Globo.”

Heloísa Villela relembrou o episódio em que uma única palavra provocou um impasse em uma matéria na Globo
Heloísa Villela relembrou o episódio em que uma única palavra provocou um impasse em uma matéria na Globo
Foto: Reprodução/ICL Notícias

Heloísa critica o posicionamento da GloboNews ao admitir que o PowerPoint estava “incompleto” e pedir desculpas.

“Eles dizem ‘ah, foi um erro, um equívoco’. Bom, eles não fizeram uma errata nem uma correção porque não puseram o PowerPoint correto. Não pediram a ninguém para tirar das redes sociais esse PowerPoint esdrúxulo, mentiroso e intencionalmente sacana.”

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Ela disse considerar que foi uma arte propositalmente tendenciosa. “Não se faz um PowerPoint desse, numa empresa como essa, sem passar por decisões, avaliações e aprovações superiores.”

“Eu me lembro quando eu estava na TV Globo, trabalhando no escritório de Nova York, uma matéria que eu fiz, por causa de uma palavra, que eu me recusava a chamar palestino de terrorista, a matéria foi e voltou até ir para a direção da empresa. Você acha que a direção da empresa não ia saber desse PowerPoint? Não ia saber que o presidente Lula estava ali, que a estrela do PT estava ali gigante?”

“Não é só um erro da redação. Sugere uma intenção clara da direção da empresa, deixando à vista de quem quiser analisar o caminho tortuoso que a gente vai seguir nessa eleição presidencial. Isso é apenas o começo das coisas que vêm por aí, e que essas empresas vão fazer, para tentar derrubar a candidatura do presidente Lula.”

A coluna deixa espaço aberto aos citados.

A jornalista Heloísa Villela em 2003, quando era correspondente da Globo nos Estados Unidos
Foto: Reprodução
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