Pai também cansa: por que a paternidade presente precisa ser mais valorizada

O pai que ninguém vê: a rotina por trás da paternidade.

18 ago 2026 - 23h35
(atualizado às 23h38)

Durante muito tempo, a imagem do pai dentro de uma família esteve associada principalmente ao papel de provedor. Trabalhar, pagar as contas e garantir o sustento da casa eram vistos como suas principais responsabilidades. A participação cotidiana na criação dos filhos e nas tarefas domésticas, muitas vezes, aparecia como algo secundário.

Foto: Porto Alegre 24 horas

Essa realidade mudou — e continua mudando.

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Hoje, há cada vez mais pais que não apenas acompanham o crescimento dos filhos, mas participam ativamente de suas rotinas. Buscam na escola, acompanham nas consultas, preparam refeições, dão banho, colocam para dormir, levam para atividades esportivas, brincam, cuidam dos brinquedos, fazem compras, cozinham, lavam roupas, limpam a casa e dividem decisões que envolvem a família.

São homens que estão presentes não apenas nos momentos de lazer, mas também na parte menos visível e mais cansativa da criação de uma criança.

E existe uma questão que merece ser discutida: quem cuida de quem também está cuidando?

O pai presente também pode estar cansado

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A paternidade ativa trouxe uma mudança importante para dentro das famílias, mas também criou uma realidade que ainda é pouco debatida: o pai pode estar presente, participar e assumir responsabilidades — e, ainda assim, sentir-se sobrecarregado.

O problema não está em cuidar dos filhos ou da casa. Para muitos pais, essa participação é justamente uma das partes mais importantes da vida.

O que pode pesar é a sensação de que esse esforço passa despercebido por parte da companheira.

A roupa que precisa ser lavada, estendida, recolhida e dobrada. A casa que precisa ser organizada. As compras do supermercado. O jantar. Os brinquedos espalhados pela sala. O compromisso da criança. A atividade esportiva. O banho. A rotina antes de dormir.

Separadamente, são pequenas tarefas. Juntas, representam uma grande quantidade de responsabilidade.

E o pai que assume tudo isso não está "ajudando" a mãe.

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Ele está sendo pai.

Quando a presença paterna vai além do fim de semana

Ainda existe uma imagem cultural do pai que trabalha durante a semana e aproveita os filhos quando chega em casa ou nos finais de semana.

Mas a paternidade contemporânea é muito mais ampla.

O pai presente está na rotina. Está nos compromissos que ninguém vê. Está preparando a janta, buscando a criança na creche, preparando um lanche, organizando a casa enquanto ela brinca e acordando quando necessário (naqueles mamas de madrugada).

Ele também pode trabalhar em casa, gerenciar sua empresa e, justamente por estar fisicamente presente, acabar absorvendo uma série de tarefas domésticas ao longo do dia.

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É importante lembrar: trabalhar em home office não significa estar disponível para cuidar da casa durante todo o expediente.

Assim como a mãe que trabalha fora, acorda cedo, não deixa de ser responsável pela família, o pai que trabalha de casa também precisa ter seu trabalho respeitado.

E quando o casal fica em segundo plano?

Existe ainda outro aspecto pouco discutido depois da chegada dos filhos: o impacto da nova rotina sobre o relacionamento.

Em algumas famílias, a criança passa a dormir com a mãe por necessidade, escolha ou praticidade. O pai pode acabar dormindo em outro quarto. Em determinadas situações, isso funciona perfeitamente para todos.

O problema surge quando uma solução inicialmente temporária se transforma em uma rotina permanente sem que o casal volte a discutir o assunto.

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Alguns pais relatam sentir falta não apenas da intimidade, mas da própria convivência com a companheira. Sentem falta de conversar antes de dormir, dividir a cama, assistir a alguma coisa juntos ou simplesmente ter alguns minutos em que não sejam apenas "pai" e "mãe", mas marido e mulher.

Não se trata de colocar as necessidades do casal acima das necessidades da criança.

Trata-se de lembrar que também existe um casal dentro daquela família.

E preservar esse vínculo pode ser importante para a própria saúde emocional de todos.

Valorizar não significa comparar

Falar sobre o cansaço dos pais não significa diminuir a sobrecarga das mães.

Muito pelo contrário.

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Mães e pais podem estar cansados ao mesmo tempo. Podem desempenhar funções diferentes. Podem ter jornadas diferentes. E ambos podem sentir que suas contribuições não são suficientemente reconhecidas.

A discussão não deveria ser sobre quem faz mais.

Deveria ser sobre como construir uma divisão mais justa e, principalmente, como reconhecer o esforço de cada um.

Talvez seja hora de abandonar a ideia de que o pai que troca uma fralda, lava uma roupa ou prepara o jantar está "ajudando".

Ele está cuidando da própria família.

O pai também precisa ser cuidado

Existe uma enorme valorização — absolutamente necessária — da figura da mãe que se desdobra para cuidar dos filhos.

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Mas talvez esteja na hora de ampliar essa conversa.

O pai também pode estar exausto.

Também pode ter dúvidas.

Também pode sentir falta da esposa.

Também pode precisar de reconhecimento.

Também pode precisar ouvir: "Eu vejo o quanto você está fazendo."

Isso não significa criar uma disputa entre homens e mulheres. Significa reconhecer que a construção de uma família exige duas pessoas que também precisam ser cuidadas dentro dessa estrutura.

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A paternidade presente merece ser valorizada não porque o homem esteja fazendo um favor à mulher, mas porque estar presente na vida dos filhos é uma das formas mais importantes de exercer a própria paternidade.

No fim, talvez a pergunta não seja quem faz mais dentro de casa.

Talvez seja outra:

Depois que os filhos chegam, quem está cuidando de quem cuida deles?

E talvez a resposta precise incluir também os pais.

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