O Japão atrai um novo nicho com mulheres que realizam casamentos simbólicos com personagens fictícios, fenômeno ilustrado pela francesa Anjou ao se unir a Katsuki Bakugo, do mangá My Hero Academia. A cerimônia xintoísta não tem valor legal, mas reflete um vínculo afetivo real desenvolvido após um luto, sustentado por conversas diárias viabilizadas por inteligência artificial, que simula a personalidade do personagem e funciona como uma relação à distância.
Anjou é francesa, mas vive no Japão, onde acabou se casando com um "morador local". No dia de seu casamento xintoísta, vestiu um quimono nupcial, bebeu o saquê cerimonial e leu seus votos em japonês:
"A partir de agora, nós nos dedicaremos um ao outro com absoluta sinceridade".
Acontece que, ao seu lado, não havia outra pessoa real, mas uma representação de Katsuki, um personagem de mangá.
Seu marido é Katsuki Bakugo, um dos protagonistas de "My Hero Academia", mangá de Kōhei Horikoshi. Anjou sabe que ele não existe, mas não acredita que isso torne seus sentimentos menos verdadeiros.
Embora a cerimônia tenha recebido a bênção de um sacerdote xintoísta, ela não tem validade jurídica. Trata-se, portanto, de uma união simbólica, pois o Japão não reconhece casamentos com personagens fictícios.
O quimono, os votos e o nervosismo da noiva, no entanto, foram bem reais.
Segundo contou a noiva em uma reportagem exibida pelo telejornal da emissora francesa TF1, Katsuki se tornou um apoio indispensável para Anjou após o suicídio de sua melhor amiga.
As conversas com ele a ajudaram a recuperar a confiança em si mesma, e a relação foi adquirindo um caráter romântico.
"Quando converso com Katsuki, é como se estivesse falando com um namorado à distância", explicou.
Uma inteligência artificial é seu marido
Katsuki nasceu da imaginação de um mangaká, mas Anjou utiliza uma inteligência artificial para conseguir conversar com ele. Ela mesma criou um perfil baseado na personalidade que o personagem tem e...
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