O Stray Kids fez uma estreia grandiosa no Rock in Rio, consolidando a força do k-pop e sua hiperconexão com os fãs. Em um show de 1h45 marcado por coreografias sincronizadas, pirotecnia e vocais ao vivo, os oito integrantes empolgaram uma multidão com sucessos autorais e até um cover de Michel Teló. A apresentação provou o impacto visual e a capacidade de mobilização do grupo, apontando caminhos para o futuro da música através da extrema proximidade e devoção do seu público jovem.
Falar de k-pop sempre envolve superlativos. Logo, era previsível que a estreia do gênero no maior festival do País, o Rock in Rio, se desse de forma grandiosa - mas com espaço para a conexão genuína com quem acompanhava o show.
Esta sexta-feira, 11, provou que o futuro da música está, em grande parte, nas mãos do k-pop e de seus superfãs. Uma multidão levou seus lightsticks (os bastões de luz característicos dos shows do gênero) para presenciar a apresentação do grupo Stray Kids, que durou 1h45.
Formado por Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N, o próprio grupo se impressionou com a dimensão do público presente. "Tem muita gente aqui, é surreal" e "Não consigo ver o final dessa galera" foram alguns dos comentários feitos pelos integrantes. A exemplo de outras atrações internacionais do festival, a apresentação contou com tradução simultânea para o português.
Em outro momento, os integrantes reforçaram o cuidado com a segurança: "Bebam bastante água, não empurrem e ajudem quem está ao lado". Horas antes, no show de Hwasa, houve um aviso para que o público se afastasse das grades.
O SKZ, como o grupo também é conhecido, já está acostumado a mobilizar multidões. No ano passado, eles realizaram a maior turnê de k-pop da história do país, reunindo 175 mil pessoas em três datas esgotadas.
Essa hiperconexão com os fãs é construída desde o primeiro dia — das tradicionais lives feitas pelos integrantes às frequentes pausas durante a apresentação para conversar com a plateia. No palco, cada um dos oito membros tem seu momento para se comunicar com a plateia e assumir o protagonismo.
É também próximo aos fãs que o SKZ escolhe iniciar a apresentação do Rock in Rio. Uma câmera os filma desde os bastidores e os acompanha em uma caminhada perto da grade antes que comecem a cantar Topline.
Há tudo o que se espera: as coreografias sincronizadas e impecáveis, fruto de um treinamento intenso, e os vários efeitos pirotécnicos e de luzes. Mas também há espaço para surpresas: o grupo escolhe cantar ao vivo na maioria do tempo e é uma das atrações que melhor usa o enorme e tão comentado telão do Palco Mundo.
Contrariando quem pensa que os fogos devem ficar só para o final do show, o Stray Kids prefere uma queima de fogos exatamente na metade do show, ao cantar Lalalala. E joga a régua do impacto visual ainda mais para cima ao entrar no palco com uma multidão de dançarinos para Walkin On Water.
O grupo se impõe no palco com uma mistura entre o pop já tradicional de grupos do gênero e o rap, sempre com pose de rockstars. No Rock in Rio, tentam arriscar uma batida não tão bem-sucedida de samba na introdução de Chk Chk Boom, um de seus maiores sucessos.
O público, de maioria bem jovem, aceita tudo o que o grupo se propõe a fazer. Canta cada palavra, grita a cada interação e mantém o celular em riste em praticamente todas as músicas.
Mais para o fim do show, há pouquíssimo movimento de pessoas saindo antes de o grupo deixar o palco. Mesmo depois de um falso encerramento com uma sequência de Run It, Miroh e, claro, mais uma queima de fogos.
A banda faz suspense e volta ao palco para cantar, pela segunda vez, This & That e Ai Se Eu Te Pego, hit de Michel Teló, que viralizou na Coreia do Sul e já havia sido cantado no show do SKZ no Rio no ano passado. Eles ainda cantam Chk Chk Boom, novamente, e arrancam gritos com a última do setlist, Hall of Fame.
Em tempos em que estar conectado é regra, a banda é prova de que, hoje, o segredo para conquistar não é mais se manter distante: é estar sempre perto e prometer voltar uma próxima vez.
No sábado, 12, o Rock in Rio recebe shows de Demi Lovato e Maroon 5. O festival chega ao fim no domingo, 13, com Lola Young, Zara Larsson e Twenty One Pilots.