Elton John escolhe estar no Rock in Rio e faz disso um acontecimento

Mesmo aposentado e sem precisar provar mais nada, gigante da música oferece performance de alto nível com chuva de hits

8 set 2026 - 02h04
Resumo
Aos 79 anos e afastado de grandes turnês, Elton John surpreendeu o público com um show histórico no Rock in Rio. Apesar das limitações físicas da idade, o cantor entregou uma performance memorável de 2h15 ao piano, amparado por sua lendária banda original. A apresentação contou com 23 sucessos marcantes, como "Rocket Man" e "Your Song", além da inclusão especial de "Skyline Pigeon", grande hit exclusivo no Brasil, transformando sua passagem pelo festival em um momento de pura celebração e afeto.

"Você não sabia que eu ainda estou de pé e melhor do que nunca? Como um verdadeiro sobrevivente, me sentindo como um garotinho". Esses versos, escritos por Bernie Taupin, embalam o refrão de "I'm Still Standing", um dos grandes hits de Elton John. Lançada em 1983, a música não é sobre Elton, mas Bernie. Ainda assim, encaixa-se perfeitamente à trajetória do cantor e pianista que deixou a aposentadoria de lado para fechar a segunda-feira, 7, de Rock in Rio.

Elton John escolhe estar no Rock in Rio e faz disso um acontecimento
Elton John escolhe estar no Rock in Rio e faz disso um acontecimento
Foto: @ellenartie / Rolling Stone Brasil

John, aliás, nunca se retirou por completo. A turnê de despedida Farewell Yellow Brick Road, concluída em 2023 sem passagem pelo Brasil, serviu como um adeus apenas às grandes excursões. Pudera: hoje com 79 anos, o artista britânico acumula problemas nos quadris, na visão e mais. Isso não o impossibilita de continuar gravando e até realizando performances ocasionais, geralmente em eventos de caridade. Nada com o tamanho do festival carioca, deve-se dizer.

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Ninguém que foi ao Rock in Rio esperava — ou deveria esperar — uma performance enérgica de um músico já em idade avançada, com dilemas de saúde e afastado da estrada há anos. A ideia é celebrar um artista que ofereceu à sociedade moderna não apenas uma infinidade de hits, mas iniciativas filantrópicas — sua fundação de pesquisa sobre a Aids, por exemplo, já investiu uma fortuna em ações e estudos sobre o tema — e ideias de inclusão por um mundo melhor.

Mas até o mais otimista deve ter se surpreendido positivamente. John não parecia estar longe de seu ofício. Cantou bem, dentro das limitações naturais da idade, e tocou como ninguém — ou melhor, como Elton John. O solo executado nos minutos finais de "Rocket Man" mostram a plenitude de sua habilidade no piano. Levantou-se pouco no palco, é verdade, mas quem liga? Sempre que se virava à plateia, era ovacionado.

Sua banda é um espetáculo à parte. Nigel Olsson, 77 anos, é membro original da Elton John Band e não vacila em uma batida sequer. Davey Johnstone, seu guitarrista desde 1971, é um dos mais subestimados no instrumento em toda a história do rock — e faz valer este título no solo espetacular de "Have Mercy on the Criminal". Ray Cooper, presente a partir de 1973, é monstruoso na percussão.

Em relação ao setlist, houve algumas escolhas curiosas. A primeira delas veio logo no começo, com a decisão de abrir com a progressiva e encantadora "Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding". "Bennie and the Jets", na sequência, evidenciou como Elton é um senhor músico: ao adaptar a canção para seu vocal mais grave, tornou-a ainda melhor. "The One", quinta da noite, não aparecia em shows de turnê desde 2017. E, claro, "Skyline Pigeon" surgiu próxima do fim. "Essa música só é popular no Brasil", observou o artista, destacando que nunca a toca em outro país. É o nosso presentinho.

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De resto, uma chuva de hits. A catártica "Tiny Dancer", a bela "Sacrifice", a poderosa "Rocket Man", a linda "Candle in the Wind" (com imagens de Marilyn Monroe, inspiradora da composição, no telão), a agitada sequência com "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting", "I'm Still Standing" e "Cold Heart", esta última com vídeo — mas não áudio — de Dua Lipa, o encerramento maravilhoso com "Your Song". São tantos sucessos que, mesmo em um set de 23 músicas e 2h15 de duração (30 minutos a mais que o previsto), alguém pode reclamar das ausências de, por exemplo, "The Bitch is Back", "Daniel" ou "Nikita".

Mas só dá pra reclamar disso. E mais nada. Elton escolheu estar conosco. Não precisava. Não havia obrigação. A essa altura, sequer existe qualquer ambição relacionada a este show: cachê, objetivos artísticos... nada. Ele quis estar aqui. Pela última vez? Sei lá. Nem importa. Importa é que foi lindo.

SETLIST: Elton John — Rock in Rio 2026

1 Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding

2 Bennie and the Jets

3 I Guess That's Why They Call It the Blues

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4 Philadelphia Freedom

5 The One

6 Tiny Dancer

7 Sacrifice

8 Honky Cat

9 Rocket Man

10 Levon

11 Sorry Seems to Be the Hardest Word

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12 Someone Saved My Life Tonight

13 Have Mercy on the Criminal

14 Candle in the Wind

15 Goodbye Yellow Brick Road

16 Sad Songs (Say So Much)

17 Don't Let the Sun Go Down on Me

18 Crocodile Rock

19 Saturday Night's Alright for Fighting

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20 I'm Still Standing

21 Cold Heart

22 Skyline Pigeon

23 Your Song

Rolling Stone Brasil
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