Raquel e Jup do Bairro se unem no novo single 'História Mal Contada'

Primeira colaboração entre as artistas antecede show conjunto no SESC Pompeia

23 jan 2026 - 14h08

Em meio ao mês da visibilidade trans, os talentos de Raquel Virgínia (ex-As Baías) e Jup do Bairro se convergem no single "História Mal Contada", que chega à todas as plataformas digitais hoje (23 de janeiro), junto a um visualizer produzida pela Mescla. Em um misto de rock e blues, a faixa aborda antigas feridas e lembranças das origens periféricas das artistas.

Raquel e Jup do Bairro em visualizer de "História mal Contada"
Raquel e Jup do Bairro em visualizer de "História mal Contada"
Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

A parceria inédita, gestada durante uma noite de descontração e profundidade no Largo do Arouche, serve como prelúdio para a primeira apresentação conjunta das artistas no palco do Sesc Pompeia, no show Não Incendiei a Casa Por Milagre, que acontece hoje e conta com a presença da cantora Jadsa.

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A colaboração consuma uma admiração mútua que já dura quase uma década, atravessando as fases em que Raquel brilhava no As Baías e Jup na dupla com Linn da Quebrada. "É uma época muito oportuna", reflete Raquel em nota. "Ela lançou Juízo Final, eu lancei Não Incendiei a Casa por Milagre. Somos duas artistas trans negras, com histórias moldadas nas periferias de São Paulo. A gente tem várias convergências, e quando nos encontramos com mais tempo, a conversa fluiu para a canção".

Para Jup do Bairro, a emoção é a mesma: "Desde que a Raquel me convidou, fiquei pensando em como seria esse encontro. Nós sempre nos entendemos. Fomos amadurecendo em nossas carreiras solo e fiquei muito curiosa para saber como seria nosso reencontro na música. Já nos amávamos e tínhamos muita química. Viemos compor justamente no Arouche, para entender a cidade, nosso corpo nessa cidade, nessa bagunça, nos desejos aflorados. A necessidade de contar essa história alimentou essa canção. É nossa versão, dirigida a um anti-amor, a alguém que passou na nossa vida, mas, principalmente, a nós mesmos. Inventamos novas possibilidades e falamos sobre um amor que possa nos caber."

O blues-rock ácido da faixa almeja investigar as feridas que não cicatrizam e as narrativas que nos definem à nossa revelia. "Acho que a nossa própria origem já é uma história mal contada. A maioria das pessoas negras não conhece suas origens", afirma Raquel. "As pessoas trans também têm muitas histórias mal contadas. Essa música carrega isso."

A letra é um inventário de "hematomas que você não deixa o outro em você" - marcas indeléveis que permanecem mesmo depois que a porta de um ciclo se fecha. "É sobre o quanto de histórias mal contadas existem sobre nossas vidas, sobre nossas comunidades", continua a artista. "Tem muita coisa que a gente simplesmente escolhe fechar a porta e seguir. Mas a gente vai sempre carregar aquele hematoma. No final, quem vence dita a versão. O outro lado fica sempre com a história mal contada".

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A opção por uma levada roqueira agressiva e envolvente também é intencional. Para Raquel, o gênero é a tradução sonora mais fiel de seus estados de espírito. "A sonoridade da guitarra, da bateria, do baixo, essa explosão que o rock proporciona… hoje consigo traduzir melhor minhas sensações", compartilha. "Estou com raiva das coisas. Sou melancólica, sou solitária. E o rock acaba sendo uma ótima linguagem para a solidão, para a raiva, para a melancolia."

A apresentação no SESC Pompeia também é um momento de superação para Raquel, que admite que subir ao palco tem se tornado um ato cada vez mais carregado. "Cada vez tenho sentido mais dificuldade. Talvez porque tenha se tornado menos banal para mim. Hoje, carrego um peso técnico, conceitual, estético, sinto a pressão das cantoras que vieram antes, a pressão do público."

Entretanto, a artista entende que dividir a noite com Jup e Jadsa é um antídoto contra a ansiedade. "Três artistas negras fazendo música é sempre motivo para festejar. Hoje, esse tipo de movimento não pode ser visto como casual. É um encontro potente num palco importante. Tem que virar festa."

Assista ao visualizer da novidade abaixo:

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Serviço: Lançamento do Single "História Mal Contada" e show no Sesc Pompeia

Data: 23 de janeiro

Local: Sesc Pompeia São Paulo/SP

Endereço: R. Clélia, 93 - Água Branca, São Paulo - SP, 05042-000

Ingressos: À venda no site do Sesc Pompeia

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