O nome de La Cruz começou a chamar a atenção do público brasileiro após o lançamento de uma colaboração com Gloria Groove. Mas, embora ainda seja uma novidade para muitos ouvintes no Brasil, o cantor venezuelano já é considerado uma das principais revelações da música latina e vem conquistando espaço ao misturar reggaeton, pop e ser uma voz ativa da comunidade LGBTQIAPN+.
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Radicado em Madri, na Espanha, Alfonso La Cruz, de 30 anos, construiu uma carreira marcada por letras pessoais e pela quebra de padrões dentro do reggaeton, gênero historicamente associado à masculinidade heteronormativa. Sua proposta artística já foi definida pela revista GQ como um exemplo de como a música pode representar de forma fiel a diversidade da sociedade.
De reality musical ao reggaeton LGBTQIAPN+
La Cruz ganhou projeção em 2018 ao participar da edição espanhola do reality musical "Operación Triunfo". Apesar de ter sido o primeiro eliminado da temporada, aproveitou a visibilidade para iniciar sua carreira solo. Em 2019, lançou o single "Nadie Te Va a Querer", pela Universal Music Spain, dando início a uma trajetória que passou a dialogar diretamente com a comunidade LGBTQIAPN+.
O grande salto veio em 2022, com o álbum de estreia "Hawaira". A faixa "Te Conocí Bailando" viralizou nas redes sociais e se tornou um hino para parte do público queer latino, levando críticos a apelidarem seu estilo de "regayton" — uma fusão entre reggaeton e representatividade LGBTQIAPN+. Desde então, o artista lançou músicas como "Quítate La Ropa" e "Easy Boy", consolidando seu espaço na nova geração da música urbana latina.
Relação com o Brasil
A conexão de La Cruz com o Brasil começou antes mesmo da parceria com Gloria Groove. Em novembro do ano passado, o cantor veio ao país para participar de um show de Luísa Sonza, no Rio de Janeiro. Durante a passagem, também participou de sessões de estúdio em São Paulo ao lado do trio de produtores Los Brasileros, responsáveis por sucessos de artistas como Anitta, Karol G e Jão.
O artista nunca escondeu seu interesse pela música brasileira. Em entrevistas, já afirmou que gostaria de explorar o funk em futuros lançamentos e revelou o desejo de colaborar com nomes como Pedro Sampaio e Thiago Pantaleão.
Música como ferramenta de representatividade
Como parte da comunidade LGBTQIAPN+, La Cruz faz da própria trajetória um dos pilares de sua obra. Suas canções abordam relacionamentos, identidade e liberdade de forma aberta, contribuindo para ampliar a representatividade dentro do reggaeton — um gênero que, por muitos anos, foi dominado por narrativas exclusivamente heterossexuais. Agora, com a parceria ao lado de Gloria Groove, o venezuelano dá mais um passo em sua aproximação com o mercado brasileiro, reforçando uma ponte entre a música pop latina e a cena LGBTQIAPN+ do Brasil.
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