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Quem criou o Passinho do Jamal? Entenda a disputa que tomou conta das redes

Criada na periferia do Recife, dança ganhou o mundo e virou alvo de disputa por autoria e reconhecimento nas redes sociais

18 ago 2026 - 15h04
(atualizado às 15h05)
 Quem criou o Passinho do Jamal? Entenda a disputa que tomou conta das redes
Quem criou o Passinho do Jamal? Entenda a disputa que tomou conta das redes
Foto: Reprodução/Instagram

O Passinho do Jamal ultrapassou as fronteiras de Pernambuco e se transformou em um fenômeno das redes sociais, chegando a artistas, jogadores de futebol e até outros países. O sucesso, porém, também colocou em evidência uma disputa envolvendo os créditos pela criação da coreografia.

O embate ganhou força depois que Jamal da Capital, nome artístico do recifense Romero Silva Oliveira Junior, criticou o influenciador carioca Arthur Lima por publicações relacionadas ao passinho. Jamal afirma ser o criador da dança e passou a cobrar publicamente o devido reconhecimento.

Afinal, quem criou o Passinho do Jamal?

O passinho nasceu em Santo Amaro, no Recife, a partir da cultura do brega funk e dos chamados "muvucões", encontros de dança populares nas periferias pernambucanas.

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Jamal contou que se inspirou em movimentos já realizados em passinhos antigos, nos quais os pés se deslocavam de um lado para o outro. A inovação foi combinar essa base com movimentos sincronizados dos braços, criando a sequência que posteriormente ganhou seu nome.

A coreografia foi desenvolvida por Jamal ao lado de amigos de infância, com participação de Eo Chapa, e acabou fortemente associada ao brega funk Toma Botada. Antes da fama, Jamal chegou a trabalhar como entregador de água, enquanto Eo Chapa era servente de pedreiro.

A dança começou como uma brincadeira, mas ganhou força nas redes sociais e passou a ser reproduzida muito além de Pernambuco.

Como começou a polêmica com Arthur Lima?

A discussão ganhou um novo capítulo quando Arthur Lima publicou um vídeo reagindo a estudantes de uma escola da Tailândia fazendo o passinho. A repercussão levou internautas a acusarem o influenciador de se beneficiar da popularidade da coreografia sem deixar suficientemente clara sua origem.

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Jamal então apareceu nos comentários para reivindicar a autoria e, posteriormente, fez um desabafo nas redes sociais. O pernambucano afirmou que não se incomoda com outras pessoas reproduzindo a dança — sua insatisfação estaria na falta de créditos e na possibilidade de o público associar a criação a outra pessoa.

O artista também questionou o uso comercial do passinho por influenciadores e marcas sem que seu criador seja chamado para participar das ações ou receba retorno financeiro e de visibilidade.

O que Arthur Lima diz?

Arthur Lima rebateu as acusações e negou ter afirmado ser o criador do Passinho do Jamal.

Segundo o influenciador, sua intenção ao publicar o vídeo era apenas comemorar o fato de a dança ter chegado ao exterior. Arthur argumentou ainda que ajudou a divulgar o passinho fora do Brasil e que passou a ser reconhecido pela coreografia em diferentes lugares.

Ele também afirmou que já havia publicado conteúdo esclarecendo que não era o criador e marcando Jamal, além de dizer que chegou a cogitar uma gravação com o pernambucano.

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Jamal diz que não quer impedir ninguém de dançar

Apesar do embate, Jamal deixou claro que a discussão não é sobre proibir outras pessoas de reproduzirem a coreografia.

O ponto central, segundo ele, é o reconhecimento da autoria. O pernambucano acusou Arthur de associar sua imagem ao passinho de uma forma que poderia levar parte do público a acreditar que a dança havia sido criada pelo influenciador.

Jamal também sinalizou que estaria disposto a encerrar a discussão e até gravar um vídeo com Arthur, desde que sua autoria fosse reconhecida publicamente.

Do Recife para o mundo

A discussão ganhou ainda mais repercussão justamente pela dimensão alcançada pelo Passinho do Jamal. A coreografia deixou as ruas de Santo Amaro e passou a circular internacionalmente.

A dança já foi reproduzida por nomes como Endrick, Lamine Yamal e jogadores da seleção de Cabo Verde, além de artistas ligados ao K-pop. Também chegou a países como Filipinas e Tailândia.

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Para Jamal, essa projeção torna o reconhecimento ainda mais importante. Em entrevista ao Diario de Pernambuco, antes do auge da atual polêmica, ele já havia demonstrado preocupação com pessoas atribuindo a dança a outro influenciador e resumiu sua reivindicação: queria poder usufruir daquilo que criou.

Mais do que uma disputa entre influenciadores, o caso colocou em discussão um problema recorrente na cultura digital: como garantir crédito e reconhecimento aos criadores de manifestações que nascem nas periferias e se tornam fenômenos globais nas redes sociais.

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