O fim do Nirvana, com a morte de Kurt Cobain em abril de 1994, foi marcado por tragédia. Todavia, enquanto a notícia chocou fãs do mundo todo, pessoas próximas ao músico — incluindo Dave Grohl — viam um caminho sem volta há algum tempo.
Em entrevista de 2009 à Mojo Magazine (via Foo Archive), o baterista do Nirvana, que se tornaria líder do Foo Fighters, relembrou os últimos dias da banda capitaneada por Cobain. Segundo Grohl, dava pra ver no começo de 1994 que não havia futuro.
Ele lembrou:
"1994 foi um ano ruim. Aquele ano inteiro é um borrão por conta do quão perdido eu estava. No que a gente chegou na Alemanha para a turnê europeia, Kurt não queria estar mais lá. Aquela turnê foi a primeira vez que tive depressão, de não querer sair da cama. Kurt então intencionalmente estourou sua voz para que a gente pudesse ir para casa."
Neste caso, apenas Dave Grohl e o baixista Krist Novoselic foram para casa. Kurt Cobain permaneceu na Europa, acompanhando sua esposa, Courtney Love, durante o ciclo promocional de Live Through This (1994), segundo álbum de estúdio da banda dela, Hole. Enquanto os dois estavam em Roma, Kurt tentou tirar a própria vida com remédios para dormir. Dave descobriu sobre o ocorrido da pior maneira possível:
"Eu finalmente chego em casa e me acordam às 5 da manhã com um telefonema falando: 'Cara, liga na CNN…' E eu vejo o Kurt em Roma, então foi quando eu soube que tinha acabado."
Logo em seguida, alguém ligou para o músico para lhe avisar equivocadamente da morte de Kurt, o que fez o baterista entrar em parafuso. Não demorou até que essa mesma pessoa telefonasse novamente para corrigir a informação: o companheiro de Dave no Nirvana ainda estava vivo.
Quando os dois finalmente puderam conversar, Cobain pediu desculpas por fazer Grohl se preocupar. A resposta do baterista foi um pedido para o amigo não morrer.
A morte de Kurt Cobain
Quando o corpo de Kurt Cobain foi encontrado sem vida em 8 de abril de 1994, três dias após o óbito, Dave Grohl confessou que não conseguia sentir nada, nem mesmo choque. O músico até tentou chorar, mas nenhuma lágrima surgiu. Ele estava emocionalmente exausto:
"É difícil para mim até mesmo falar disso. Tem muita coisa bizarra que ninguém sabe a respeito. Eu já estava de saco cheio antes do Kurt desaparecer, eu e Krist estávamos. Àquele ponto era mais que hora de todo mundo ir cada um por um caminho diferente. Mas… isso não aconteceu, é claro."
(** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.)
Após o fim
Dave Grohl passou os meses seguintes à morte de Kurt longe dos holofotes. O músico se mudou para a Irlanda com o objetivo de se afastar de tudo.
Em outubro de 1994, ele gravou uma demo de 15 canções e no mês seguinte fez sua primeira aparição pública desde a tragédia: uma apresentação no Saturday Night Live como parte de Tom Petty and the Heartbreakers. Grohl chegou a receber um convite formal para se juntar ao grupo e foi especulado como o novo baterista do Pearl Jam, substituindo Dave Abbruzzese.
Entretanto, a demo chamou a atenção das gravadoras. Como Dave não queria ser artista solo, ele decidiu recrutar outros músicos e formar uma nova banda. Assim nasceu o Foo Fighters.