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Os 25 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Kendrick Lamar

Em 2012, o rapper revelou à Complex a lista que moldou seu som

1 nov 2026 - 09h41
Resumo
Em 2012, Kendrick Lamar revelou os 25 álbuns que moldaram sua formação musical e artística. Organizada cronologicamente, a seleção destaca sua forte ligação com a Costa Oeste, trazendo 2Pac e três discos de DJ Quik, além de nomes vitais como Dr. Dre, Snoop Dogg e E-40. A lista também abraça a crueza da Costa Leste e o impacto do selo Cash Money, além de incluir o aclamado trabalho de Lauryn Hill, servindo como um mapa direto para o lirismo narrativo e estético que viria a consagrar o rapper de Compton.

Em outubro de 2012, quando lançava good kid, m.A.A.d city, seu álbum de estreia pela Interscope, Kendrick Lamar sentou com a Complex para revelar os discos que moldaram quem ele era. A lista que emergiu desse papo é um retrato preciso da formação de um artista criado em Compton: pesada no West Coast, dominada por Tupac e por três álbuns de DJ Quik, o único artista a aparecer três vezes. Lauryn Hill ao lado de E-40. Notorious B.I.G. ao lado de Juvenile. Ice Cube ao lado de Nas. Cada escolha carregava uma memória — e Kendrick tinha uma para contar sobre cada uma delas.

Kendrick Lamar no palco durante o show com Ice Cube, Snoop Dogg, Schoolboy Q, Ab
Kendrick Lamar no palco durante o show com Ice Cube, Snoop Dogg, Schoolboy Q, Ab
Foto: Soul e Jay Rock, em junho de 2015 ( Christopher Polk/BET/Getty Images para BET) / Rolling Stone Brasil

A lista foi apresentada em ordem cronológica de lançamento, não como ranking. Com o impacto de good kid, m.A.A.d city — disco que o consolidaria como um dos maiores da sua geração —, essas escolhas passam a funcionar como mapa, onde dá para ouvir o eco de cada uma delas nos arcos narrativos e no rigor lírico que se tornariam a marca registrada de K-Dot.

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Confira abaixo os 25 álbuns favoritos de Kendrick Lamar, com suas próprias palavras sobre cada um deles.

25. DJ Quik — Quik Is The Name (1991)

https://www.youtube.com/watch?v=lDba6HBbmqE&pp=ygUcREogUXVpayDigJQgUXVpayBJcyBUaGUgTmFtZQ%3D%3D

Para Kendrick, DJ Quik nunca foi só um rapper — era alguém que claramente dominava tudo o que acontecia na faixa. "'Sweet Black Pussy', eu tocava isso o dia inteiro em casa. Essa é a música de fundo da minha vida, muito à frente do meu tempo. Era algo que sempre tocava lá em casa". O que mais marcava era o tom de voz de Quik: agudo, inconfundível, parecido com o do Eazy-E. "Você sabia que era ele em qualquer música que ele aparecia". Debut de David Blake em Compton, o disco misturava funk e soul com um flow descontraído anos antes de o G-funk ter nome, e Quik havia produzido tudo sozinho, algo que uma criança de Kendrick já percebia sem que ninguém precisasse explicar.

24. Ice Cube — Death Certificate (1991)

https://www.youtube.com/watch?v=tMxXtOU09tM&list=PL-UWPlRIl68oDuZrjAnVgDNC8dR-DcvG_

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Kendrick conta que ouviu Death Certificate em casa quando criança, sem ainda saber o quanto aquele disco moveria o mundo. Anos depois, foi revisitá-lo com atenção — e ficou impactado. "'A Bird In The Hand' é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos". O que o impressionava em Ice Cube era a capacidade de juntar o relato de rua com consciência política sem abrir mão da crueza. "Ele falava de muita coisa que estava acontecendo no mundo. Misturava isso com a vida nas ruas de um ponto de vista completamente honesto — é por isso que eu gosto mais disso". Dividido entre um "Death Side" e um "Life Side", o disco era polêmico, mas foi exatamente essa disposição de confrontar que Kendrick identificou como influência direta.

23. Dr. Dre — The Chronic (1992)

https://www.youtube.com/watch?v=8GliyDgAGQI&pp=ygUeRHIuIERyZSDigJQgVGhlIENocm9uaWMgKDE5OTIp

"Esse foi provavelmente o primeiro álbum de rap que eu me lembro deles tocando em casa do começo ao fim. Músicas que eu realmente lembro como criança". Para Kendrick, The Chronic ia muito além de uma memória musical, servia como trilha sonora das festas de bairro que ele citaria para sempre como formação. Dr. Dre definiu o G-funk com linhas de baixo pesadas, sintetizadores melódicos e um elenco liderado pelo então desconhecido Snoop Dogg. O que mais chamava a atenção de Kendrick era o storytelling — especialmente em "Lil' Ghetto Boy". "Eu ouço meu álbum e como ele se divide em 12 músicas, ele realmente se molda e se forma num álbum assim. Só pelo storytelling".

22. Snoop Dogg — Doggystyle (1993)

https://www.youtube.com/watch?v=2soGJXQAQec&pp=ygUgU25vb3AgRG9nZyDigJQgRG9nZ3lzdHlsZSAoMTk5Myk%3D

"'Who Am I (What's My Name)' é provavelmente um dos primeiros raps que eu aprendi de ponta a ponta". Kendrick se lembrava de assistir ao clipe no The Box — o canal de TV a cabo onde se ligava e pedia a música — e de ver ela tocar dez vezes seguidas junto com "I Got 5 On It". Produzido integralmente por Dr. Dre, Doggystyle foi o álbum de estreia mais vendido da história do rap à época do lançamento.

21. Notorious B.I.G. — Ready to Die (1994)

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"O que me tocou foi o storytelling. Só o storytelling, o quanto era profundo". Para Kendrick, o rap do West Coast tinha narrativa, mas era relaxado, fluido, focado na sensação. Biggie era diferente: "O nosso era mais devagar, mais flow e boa sensação, mais como os discos soavam. O dele era sujo. As histórias eram loucas. Os flows eram loucos". Ready to Die construía um arco autobiográfico do Brooklyn direto para o fundo do poço, com produção de Easy Mo Bee e DJ Premier. Kendrick chegaria ao disco já dentro da própria linguagem de escritor — e o impacto foi proporcionalmente maior.

20. 2Pac — Me Against The World (1995)

https://www.youtube.com/watch?v=uGPFdNpMgXI&list=OLAK5uy_lEdGf7rogpXnvYrOSeSInzlt4gV2rXYmo&pp=ygUkMlBhYyDigJQgTWUgQWdhaW5zdCBUaGUgV29ybGQgKDE5OTUp

Lançado enquanto Tupac cumpria pena na prisão, Me Against The World era o seu disco mais introspectivo — e foi isso o que mais marcava Kendrick. "Era muito sombrio. 'Death Around The Corner', 'So Many Tears'... dá pra sentir o estado em que ele estava". O disco entrava em rotação pesada na casa da família, misturado com outros dois álbuns do Pac que também entrariam nessa lista — a ponto de Kendrick não conseguir mais separar qual faixa pertencia a qual projeto. "Dear Mama" era o lado mais vulnerável que Tupac nunca repetiria com a mesma profundidade, e antecipava o tipo de emoção crua e específica que Kendrick levaria para good kid, m.A.A.d city.

19. Tha Dogg Pound — Dogg Food (1995)

https://www.youtube.com/watch?v=ZY6F_bHBSec&list=OLAK5uy_kVAgLBvHMJ_Lll1diJ7ECjeJlMYjna5cw&pp=ygUjVGhhIERvZ2cgUG91bmQg4oCUIERvZ2cgRm9vZCAoMTk5NSk%3D

"Daz nos beats, Kurupt cuspindo bars loucos. 'Let's Play House' era um dos destaques". Kendrick conta que cresceu exposto a tudo que rolava no Death Row — e Dogg Food fazia parte desse pacote. O duo Kurupt e Daz Dillinger era o que havia de mais técnico liricamente dentro do selo: Kurupt com uma densidade de rima que Kendrick citaria como influência direta na própria escrita, e Daz segurando a produção com coesão estética. Foi um dos últimos grandes lançamentos do Death Row antes do colapso que viria com a morte de Tupac e a prisão de Suge Knight.

18. 2Pac — All Eyez on Me (1996)

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"Sabe o que é louco nesses álbuns do Tupac? Esses três discos — Me Against The World, All Eyez on Me e Makaveli — eram tocados tanto que você começa a misturar quais músicas eram de qual álbum, porque tinha tanta coisa em rotação. Meu pai só ficava tocando aquilo. Tocando, tocando, tocando. Tudo o que a gente conhecia em casa". All Eyez on Me era o pico comercial de Tupac: o primeiro álbum duplo do rap a estrear em #1, gravado logo após sua saída da prisão e sua entrada para o Death Row. "California Love", "How Do U Want It", "2 of Amerikaz Most Wanted" com Snoop — Kendrick cresceu ouvindo tudo isso misturado.

17. Jay-Z — Reasonable Doubt (1996)

https://www.youtube.com/watch?v=Tt6JUOsw8fE&pp=ygUhSmF5LVog4oCUIFJlYXNvbmFibGUgRG91YnQgKDE5OTYp

Kendrick chegou tarde ao debut de Jay-Z — por volta de 2001, 2002, quando já escrevia. No West Coast, a East Coast era território hostil. "Eu tinha 9, 10, 11 anos. Não queria ouvir nada do East Coast. Tudo que todo mundo tocava era Death Row". Quando chegou ao disco, o impacto foi proporcional. "'Politics As Usual' foi uma das primeiras faixas que realmente fixaram — só a vibe e o flow. Eu realmente capturei aquele flow e roubei aquela cadência como estudante do game". Produzido por DJ Premier, Pete Rock e outros, Reasonable Doubt tinha uma crueza narrativa que Kendrick nunca esqueceu.

16. 2Pac — Makaveli / The Don Killuminati: The 7 Day Theory (1996)

https://www.youtube.com/watch?v=vw-O1JdXcXk&list=OLAK5uy_mEy8UdzY67fMV7yGMw9w21BpCbfqahoXg&index=2&pp=8AUB

"O motivo pelo qual eu gosto mais do Makaveli é a agressividade. Olhando para trás, havia tanta controvérsia por trás desse álbum que eu realmente não conseguia entender quando era criança — ele em uma cruz, a saraivada de 21 tiros em 'Against All Odds'. Era só agressividade". Gravado em três dias e lançado dois meses após a morte de Tupac, Makaveli era o mais raivoso dos três discos de Pac na lista. "Aquela emoção, aquela agressividade na faixa — era como se ele quisesse ir à guerra ouvindo aquilo". A intensidade que Kendrick ouviu ali virou um dos parâmetros do que ele entenderia como presença num disco.

15. Notorious B.I.G. — Life After Death (1997)

https://www.youtube.com/watch?v=eaPzCHEQExs&list=OLAK5uy_nAUMsetFopp4EKHNS9cCs2HjUllpJ7Wak&index=3&pp=8AUB

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"Eu me lembro de ser criança com o meu parceiro, tentando aprender o verso de R. Kelly em 'Fuckin' You Tonight' — constantemente tentando aprender aquele flow: Girl you look fine, like a wind face Rolex, you just shine. A gente achava aquilo demais". Lançado 16 dias após o assassinato de Biggie, Life After Death era o oposto em tom de Ready to Die: mais polido, mais aberto ao mainstream, com hits como "Hypnotize" e "Mo Money Mo Problems". Para Kendrick, o disco mostrava uma evolução intencional. "Agora, olhando para trás, vejo que ele basicamente nos leva em outra direção, onde abre para as massas. Ele começou com as ruas e foi ampliando no próximo álbum — e isso foi incrível".

14. DMX — It's Dark and Hell Is Hot (1998)

https://www.youtube.com/watch?v=ThlhSnRk21E&list=OLAK5uy_lS_AhdHjMEgJd-hhIf3ON_Y1NsvxLP8qg&index=2&pp=8AUB0gcJCTAMAYcqIYzv

"Esse é o primeiro álbum que me fez escrever. Escrevi minha primeira letra para esse álbum, com uns 13, 14 anos". Para Kendrick, It's Dark and Hell Is Hot preencheu o vazio deixado por Pac: "Era só brutalidade e verdade. Tupac tinha ido, havia um vazio no game, e ele veio preencher aquele vazio. Agora que penso nisso, foi exatamente por isso". O debut de Earl Simmons pelo Def Jam estreou em #1 e sustentava uma intensidade que ia do berro ao momento de oração — às vezes na mesma faixa. Kendrick tinha o "Intro" decorado décadas depois.

13. Lauryn Hill — The Miseducation of Lauryn Hill (1998)

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"Esse disco provavelmente tinha mais hits do que qualquer coisa que eu já ouvi. Mesmo voltando agora. Acho que ela estava muito à frente do seu tempo — só o sentimento, a coesão, o conceito por trás disso. Era genial pra mim". A única mulher e o único álbum fora do rap na lista de Kendrick, The Miseducation misturava neo-soul, R&B e hip hop com uma coerência temática que o rapper admirava. O que ficou na memória: os clipes. "Tinha uma sensação natural, orgânica. Naquela época os clipes que saíam eram todos de alto padrão — o dela era mais ela mesma, sendo ela mesma. Achei isso incrível". Esse foi o primeiro Álbum do Ano do Grammy entregue a uma artista solo na história do prêmio.

12. Juvenile — 400 Degreez (1998)

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"400 Degreez — esse foi um dos meus favoritos do verão. Os primeiros tempos do Cash Money foram alguns dos meus anos favoritos da vida. Ouvia aquele álbum do começo ao fim o dia inteiro. Tinha um verão em que o bairro todo tocava aquilo". Para Kendrick, o impacto do Cash Money em Los Angeles nunca foi devidamente reconhecido. "Eles tinham o West Coast no controle — acho que o mundo não sabe disso". A chave era Mannie Fresh: o produtor do selo entendia de graves, e Los Angeles amava graves.

11. DJ Quik — Rhythm-al-ism (1998)

https://www.youtube.com/watch?v=NdoMwFEimqo&list=OLAK5uy_n00dcqZlATI-nh1mJImtBvTgqR4fJO0lg&index=4&pp=8AUB

"'Down, Down, Down', isso era demais. Cheguei a esse disco no ensino médio, tocando 'Down, Down, Down' o dia inteiro. Indo para o ônibus e tocando aquilo. 'Speed' era demais, assim como 'Hand In Hand'. O interlúdio era demais também — ele sempre tem interlúdios incríveis". Em sua segunda aparição na lista, DJ Quik estava mais maduro no funk em Rhythm-al-ism, sem perder a conexão com as ruas. A fidelidade de Kendrick a ele ao longo de três décadas diz tudo sobre o quanto aquele som de Compton entrou fundo.

10. B.G. — Chopper City in the Ghetto (1999)

https://www.youtube.com/watch?v=z1o16s0gs4s&list=OLAK5uy_mkO4nt4Wm8lLjeMQUG4vX2raXSDPM91DQ&index=3&pp=8AUB

"Como era cru. Era só porrada. Eu gosto do tom do B.G. também, o jeito que ele pronuncia as palavras. Gosto dos tons de todos eles — cada um é único do seu jeito". O debut de Christopher Dorsey pelo Cash Money foi produzido por Mannie Fresh e soava exatamente como o título prometia: sujo, direto, sem desculpas. "Minha favorita era provavelmente 'Thug'n' — e 'Cash Money Is an Army'". Naquele verão de 1999, a New Orleans do Cash Money estava em toda parte — e Kendrick absorvia cada peça desse universo com a atenção de quem já sabia que estava estudando algo.

9. Hot Boys — Guerrilla Warfare (1999)

https://www.youtube.com/watch?v=GKEEvv-e_QM&list=OLAK5uy_kvwvZIaE8Qw04knGgbWe6K2pZqOLo3C4Q&index=12&pp=8AUB

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"Turk e Wayne estavam arrasando — B.G. também. Minha favorita era provavelmente 'Ridin': We ridin', we ridin', come up out the flames with the K firing". O supergrupo do Cash Money reunia Juvenile, B.G., Lil Wayne e Turk sobre produção de Mannie Fresh, e era a síntese de tudo que Kendrick amava no selo: o peso dos graves, a identidade coletiva, os flows distintos coexistindo num mesmo projeto.

8. Lil Wayne — The Block Is Hot (1999)

https://www.youtube.com/watch?v=c3Edt0jMolc&pp=ygUlTGlsIFdheW5lIOKAlCBUaGUgQmxvY2sgSXMgSG90ICgxOTk5KdIHCQksDAGHKiGM7w%3D%3D

"Eles estavam mandando no game. O Cash Money foi uma grande influência no West Coast — acho que o mundo não sabe disso". Kendrick usou a entrada de Lil Wayne para defender o Cash Money como fenômeno cultural transcontinental. "Mannie Fresh fazia o tipo de beat que ainda tinha o bass. L.A. ama o bass. Eles tinham um estilo — é por isso que a gente amava eles". Debut de Wayne aos 17 anos, estreando em #3 na Billboard 200. Na turnê de good kid, m.A.A.d city, Kendrick finalmente encontrou Mannie Fresh pessoalmente e aproveitou para fazer algumas perguntas sobre o disco.

7. E-40 — Charlie Hustle (1999)

https://www.youtube.com/watch?v=xBq-H6pOHAE&list=OLAK5uy_lzIypu0wNUuYSiKoun9HjgQQo5w_K1NLM&index=14&pp=8AUB

"Meu parceiro Earl ficava tocando aquele CD todo dia — e então fui tomando gosto por isso. Era divertido, te deixava animado do mesmo jeito que o E-40 faz até hoje. Direto ao ponto, música de virar. A gíria, os termos de rua". O que Kendrick via em E-40 era a originalidade: "Definitivamente aprendi com ele. No geral, só ser original. Se destacar. Ninguém nunca vai soar como E-40, até hoje. Ele se reinventou como um artista completamente novo. Minha coisa toda é essa também". Debut de E-40 pela Jive Records e prova de que a Bay Area tinha sua própria linguagem, separada de Los Angeles e de Nova York.

6. Kurupt — Tha Streetz Iz a Mutha (1999)

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"Achei que foi um momento realmente definidor do que o West Coast faz. O West Coast é muito sensível [risos]. A gente é muito sensível com as situações e responde rápido. E o Kurupt estava explodindo naquilo". Mas o que Kendrick ressaltava ia além do diss: "Ele tinha muito conteúdo lírico. Meu conteúdo lírico vem do que ele fez no West Coast". A referência mais específica era "New York, New York" — exatamente o tipo de virada que Kendrick absorveu como técnica para subverter expectativas geográficas na própria escrita.

5. Dr. Dre — 2001 (1999)

https://www.youtube.com/watch?v=_CL6n0FJZpk&list=OLAK5uy_lQN_yR7RQie0jnpJ349k9psVApO4peUhc&index=4&pp=8AUB

"O Dr. Dre 2001, ele fez tudo de novo. Lembro de rasgar a embalagem do CD — meu pai tinha trazido. Só lembro dele tocando aquilo por meses. Por meses, por meses, por meses. Me apeguei a isso. E anos depois ele ainda estava tocando — é assim que eu sei que é um clássico de verdade". O álbum mais aguardado da história do rap na época, 2001 trazia Eminem, Snoop, Kurupt e Nate Dogg sobre produção integralmente de Dre. Kendrick tinha duas memórias específicas: a intro cinematográfica de "The Car Bomb" — "parecia um filme de verdade" — e o verso de Six-Two em "Xxplosive", que ele considerava o melhor do disco pela simplicidade desconcertante.

4. DJ Quik — Balance & Options (2000)

https://www.youtube.com/watch?v=YHqtpYc9or0&list=OLAK5uy_kc5GPeVOAAq-sCCtc5LUjxWx8YTTvjOlQ&index=4&pp=8AUB

Terceira e última aparição de DJ Quik na lista — nenhum outro artista aparece mais de uma vez. Kendrick era inequívoco sobre a influência do produtor e rapper de Compton na sua formação, e Balance & Options, lançado pela Arista, era um Quik mais contido e refinado, com a mesma consistência de produção que o distinguia. Destaque para "I Don't Wanna Party Wit U", que, segundo K-Dot, "é uma das que eu realmente lembro, que realmente me deu aquela sensação. Era verão, a gente corria por aí e aquilo sempre tocava".

3. Nas — Stillmatic (2001)

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"Aquela foi uma época em que eu estava comprando muito CD — e esse foi um dos que comprei". Para Kendrick, a faixa com AZ, "The Flyest", tinha um feeling West Coast apesar de vir do Bronx. "Só achava que era uma vibe incrível, ele cuspia algumas das letras mais intrincadas ali". E havia o recurso técnico que ficou mais tempo na cabeça: "Rewind" — a faixa inteira ritmada de trás para frente. "Cara, que isso. Isso é gênio". Stillmatic era também o disco que continha "Ether", a resposta ao "Takeover" de Jay-Z, amplamente considerada uma das maiores disses da história do rap.

2. Clipse — Lord Willin' (2002)

https://www.youtube.com/watch?v=TjWAWcx4xdE&list=OLAK5uy_mpNSYzaYRQexRfoj3WcFFvxnJ88Uuc8dU&index=4&pp=8AUB

"Essa é uma grande memória — lembro do tanto que a gente batia na mesa fazendo o beat e freestylando na escola". Kendrick descobriu o Clipse pelo "Grindin'" na TV. "Cheguei da escola um dia, vi o clipe e pensei: o que é isso? É demais". O debut de Pusha T e No Malice com produção dos Neptunes — Pharrell e Chad Hugo no auge — tinha um minimalismo percussivo que soava como nada antes: apenas o grave do 808 e o snap, limpos. Em Compton, essa austeridade soou como revelação, e ecoa diretamente nos instrumentais mais contidos que Kendrick escolheria ao longo da própria discografia.

1. Jay-Z — The Black Album (2003)

https://www.youtube.com/watch?v=6uikJTnmtgw&list=OLAK5uy_mdavaKa6H8395K5mq9VOWUMNz6caZH2Qs&index=9&pp=8AUB0gcJCSwMAYcqIYzv

Kendrick fechou a lista com o disco que Jay-Z anunciou como sua despedida do rap. "Todo mundo fala no Blueprint, mas o The Black Album vem logo atrás. Ele estava dizendo que estava na beira da aposentadoria e então simplesmente foi lá e acertou". A faixa que ficou gravada na memória era "Encore": Kendrick se lembrava de ficar passando aquilo no colegial, com os colegas. Produzido por Kanye West, Timbaland, Pharrell, Rick Rubin e outros, The Black Album funcionava como síntese de tudo o que havia de mais técnico e ambicioso no hip hop daquela geração — e para um Kendrick que estava começando a escrever de verdade, a consciência que Jay demonstrava sobre a própria obra era exatamente o que moldaria sua relação com o rap nos anos seguintes.

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