Na biografia "Citizen Kim", Kim Kardashian revela adotar um protocolo rígido para blindar os quatro filhos do casal de notícias negativas sobre o pai, Ye (Kanye West). Ao sinal de polêmicas, ela restringe o acesso a TV e rádio em casa. Apesar de manterem uma relação distante e dividirem a criação das crianças desde o divórcio em 2022, a empresária afirma se preocupar com a saúde mental do ex-marido, recentemente envolvido em declarações controversas e restrições internacionais de viagem.
Na casa de Kim Kardashian, uma mensagem de texto basta para desligar a televisão. A empresária, de 46 anos, criou um protocolo para que os quatro filhos que tem com Ye, antes conhecido como Kanye West, não sejam expostos a reportagens negativas sobre os pais. O relato está em Citizen Kim: The Woman Who Created the Future, biografia escrita pelo jornalista Jonathan Van Meter e lançada na última terça, 27, nos Estados Unidos.
Quando o alerta é dado, a programação muda para todos que trabalham na casa. A TV fica restrita a filmes, e o rádio do carro dá lugar a músicas tocadas do celular. Até a SiriusXM sai da lista, já que as emissoras comentam os acontecimentos em tempo real. "Todo mundo na minha casa sabe o que significa quando eu mando uma mensagem dizendo 'estamos em isolamento'", conta Kim no livro, em trecho publicado pela People. A regra vale para North, de 13 anos, Saint, de 10, Chicago, de 8, e Psalm, de 7.
Citizen Kim saiu pela Viking, selo da Penguin Random House, com 352 páginas. Van Meter, que escreveu para a Vogue e a New York Magazine, passou cinco anos trabalhando no livro, feito com a autorização de Kim e da família. Além da rotina doméstica, a obra percorre a carreira da empresária na televisão e nos negócios, sua atuação pela reforma do sistema de Justiça e o casamento com o rapper. Segundo o autor, a relação chegou a um ponto sem volta durante uma viagem do casal à África, em outubro de 2018.
Sobre o ex-marido, Kim diz no livro que se preocupa com ele o tempo todo, por ser o pai de seus filhos, e que considera esse um dos pesos de criar crianças com alguém com quem não se dá bem. Ela conta que a terapeuta a orienta a impor limites e garante que os dois conseguem dividir a criação dos filhos sem grandes conflitos. Hoje, conversam pouco, mas se abraçam quando se encontram, e ela continua próxima da família de Ye.
O cuidado tem motivo. Neste ano, Ye publicou um anúncio de página inteira no The Wall Street Journal para pedir desculpas pelas declarações antissemitas dos últimos anos e atribuiu o comportamento a problemas de saúde mental. Em março, lançou Bully (2026), seu primeiro álbum solo desde Donda 2 (lançado primeiramente no Stem Player em 2022, mas que chegou ao streaming em abril de 2025). Em abril, o governo do Reino Unido suspendeu a entrada do rapper no país, e o Wireless Festival, em Londres, que o teria como atração principal nos três dias, foi cancelado. Em outubro, ele se apresentou duas vezes na Gazprom Arena, em São Petersburgo, na Rússia.
Kim e Ye se casaram em 2014. Ela pediu o divórcio em fevereiro de 2021, e a separação foi concluída em novembro de 2022, com guarda compartilhada dos filhos. Em outubro de 2025, no podcast Call Her Daddy, a empresária disse que cria as crianças em tempo integral e negou a acusação de que impede o rapper de vê-las. Na mesma entrevista, contou que Ye morou na Arábia Saudita, na Itália e no Japão, e que nunca proibiu os filhos de visitá-lo.