Tony Iommi confirmou que vai remixar "Born Again" (1983), controverso álbum do Black Sabbath gravado com Ian Gillan e marcado por duras críticas à sua mixagem original abafada. O projeto finalmente avançará após a recente recuperação e digitalização das fitas originais, antes perdidas em arquivos de gravadora. Além dessa aguardada revisão sonora, o guitarrista revelou outros planos em sua agenda cheia, como o relançamento em vinil de seu disco solo e o lançamento do álbum inédito "From the Dark".
A saga de um dos álbuns mais controversos do heavy metal parece estar próxima de um novo capítulo. Tony Iommi, o lendário guitarrista do Black Sabbath, confirmou a intenção de revisitar e remixar o infame Born Again, lançado em agosto de 1983.
A notícia, que incendiou as redes sociais e fóruns de fãs, veio à tona durante uma entrevista recente ao programa Loudwire Nights, onde Iommi detalhou seus planos para o material. Esta não é uma tarefa simples, mas sim um mergulho em uma peça da história da banda que, apesar de suas falhas, possui um lugar cativo no imaginário cultural.
A Maldição de um Clássico Cult?
Born Again é muito mais do que apenas um álbum na discografia do Black Sabbath; é um fenômeno. O disco marcou a única colaboração em estúdio da banda com Ian Gillan, icônico vocalista do Deep Purple, e foi a última participação de Bill Ward na bateria. Apesar de algumas composições serem elogiadas por sua ambição e peso, o legado do álbum foi ofuscado por dois problemas crônicos que se tornaram motivo de piada e debates acalorados: sua capa, frequentemente citada como uma das piores da história do gênero, e uma mixagem que muitos consideram abafada e amadora.
A reverberação negativa da mixagem foi tão intensa que até o próprio Ian Gillan não poupou críticas. Em declarações anteriores à Rolling Stone Brasil, reproduzidas pelo Blabbermouth, o vocalista expressou seu desapontamento:
"As músicas são ótimas, mas a mixagem é ridícula".
A comparação que ele fez com o falso documentário "This Is Spinal Tap", satirizando os excessos do rock, ressoa profundamente no cenário musical, onde a produção sonora é tão crucial quanto a própria composição. A percepção de Gillan de que o baixo estava tão proeminente que inviabilizava a execução em rádios comerciais apenas solidificou a reputação problemática do álbum.
Entre o Caos e a Redenção Sonora
A decisão de Iommi de remixar Born Again não é nova. Ele já havia expressado essa intenção em 2021. O grande desafio, por anos, foi prático: localizar as fitas originais. Em 2024, em uma conversa com o programa Trunk Nation With Eddie Trunk, o guitarrista revelou que o material foi finalmente descoberto nos arquivos de uma gravadora, e o processo de digitalização já estava em andamento.
Agora, com os masters em mãos, a promessa de uma nova roupagem sonora para Born Again ganha contornos de realidade.
"São tantas coisas acontecendo agora, lançamentos e mixagens, e as pessoas estão falando do álbum 'Born Again', se eu vou remixar", disse Iommi ao Loudwire Nights, confessando a complexidade de sua agenda.
Ele confirmou que o projeto seguirá adiante "assim que tiver o disco em mãos". Para os fãs, isso representa uma oportunidade única de reavaliar um trabalho que, apesar de sua estranheza inicial, é considerado por muitos um diamante bruto esperando para ser polido. Em uma era onde a nostalgia e a busca pela sonoridade "perfeita" dominam o consumo musical, a iniciativa de Iommi pode não apenas corrigir uma falha histórica, mas também reacender o debate sobre o valor artístico de obras controversas.
O Futuro Vibrante de um Ícone
Além do projeto Born Again, Iommi está mergulhado em uma série de empreendimentos. O guitarrista indicou que há discussões para um relançamento em vinil de seu primeiro álbum solo, "Iommi", de 2000, um desejo antigo de colecionadores. Paralelamente, ele se prepara para o lançamento de "From the Dark", um disco inédito que chegará em 23 de outubro pela BMG, contando com Jorn Lande nos vocais, Becky Baldwin no baixo e Karl Brazil na bateria.
A agenda cheia de Tony Iommi é um testemunho de sua paixão inabalável pela música e sua relevância contínua no cenário do rock e do metal, provando que, mesmo décadas após o auge do Black Sabbath, seu legado continua a se expandir e a moldar o futuro do som pesado.