Elton John prova no Rock in Rio que algumas músicas não envelhecem

Há músicas que pertencem a uma época. Outras parecem escapar dela. No Rock in Rio 2026, Elton John mostrou que faz parte do segundo grupo. Aos 79 anos, o artista britânico ocupou o Palco Mundo nesta segunda-feira (7) sem precisar disputar atenção com grandes estruturas ou transformar sua apresentação em uma sucessão de efeitos. O […]

8 set 2026 - 02h42
(atualizado às 05h46)
Resumo
Aos 79 anos, Elton John brilhou no Rock in Rio 2026 com um show centrado na música e no piano, sem depender de efeitos visuais ou mera nostalgia. Diante de um grande público, o artista conectou gerações ao desfilar clássicos atemporais como "Rocket Man", "Tiny Dancer" e "Your Song", além de sucessos modernos como "Cold Heart". A apresentação provou a vitalidade e a relevância de sua obra de mais de cinco décadas, mostrando que suas canções continuam resistindo ao tempo e conquistando novas plateias.

Há músicas que pertencem a uma época. Outras parecem escapar dela.

No Rock in Rio 2026, Elton John mostrou que faz parte do segundo grupo.

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Aos 79 anos, o artista britânico ocupou o Palco Mundo nesta segunda-feira (7) sem precisar disputar atenção com grandes estruturas ou transformar sua apresentação em uma sucessão de efeitos. O centro de tudo continuou sendo o mesmo de sempre: Elton, seu piano e canções que ajudaram a moldar a música popular nas últimas cinco décadas.

O resultado foi um espetáculo que não dependeu da nostalgia para funcionar.

Pelo contrário.

Elton John fez o passado conversar com o presente.

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Elton John.
Elton John.
Foto: Reprodução / Instagram / Rock in Rio / Conexão Beat

O piano como protagonista

Em tempos de grandes produções audiovisuais, coreografias e palcos cada vez mais tecnológicos, a apresentação de Elton teve uma característica quase rara: a música esteve no centro.

O piano comandou praticamente toda a narrativa.

A abertura com "Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding" já apresentou ao público uma versão grandiosa do artista. Na sequência, "Bennie and the Jets" e "I Guess That's Why They Call It the Blues" levaram ao Rock in Rio dois lados importantes de sua carreira: o rock cheio de personalidade e as baladas que transformaram Elton em um dos grandes compositores populares de sua geração.

A fórmula parece simples.

Mas não é.

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É preciso ter um repertório capaz de sustentar um palco daquele tamanho.

Elton tem.

Um setlist que não parece uma playlist de clássicos

O repertório escolhido para o Rock in Rio não funcionou apenas como uma coleção de sucessos.

Existe uma narrativa na sequência das músicas.

"Philadelphia Freedom" abriu espaço para a energia. "The One" e "Tiny Dancer" diminuíram o ritmo. "Sacrifice" trouxe um momento mais introspectivo. "Rocket Man" retomou a grandiosidade.

Depois, vieram "Levon", "Sorry Seems to Be the Hardest Word" e "Someone Saved My Life Tonight".

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São músicas de diferentes períodos, mas que convivem naturalmente porque carregam uma característica comum: a capacidade de continuar sendo reconhecidas por quem nasceu muito depois de seus lançamentos.

Essa talvez seja uma das maiores conquistas de Elton John.

Seu repertório não ficou preso ao período em que foi criado.

"Rocket Man" continua voando

Poucas músicas representam tão bem a relação entre Elton John e o público quanto "Rocket Man".

No Rock in Rio, a canção novamente mostrou sua força.

Lançada em 1972, ela continua sendo imediatamente reconhecida pelos primeiros acordes. Mais do que um hit, tornou-se uma das imagens sonoras do próprio Elton.

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O mesmo aconteceu com "Tiny Dancer".

A música, lançada originalmente em 1971, encontrou no público brasileiro uma plateia que não precisava de explicações. Bastava o piano começar.

É nesse ponto que a apresentação de Elton se distancia de uma simples celebração de carreira.

Ele não estava apenas lembrando suas músicas.

Estava mostrando que elas continuam vivas.

Uma homenagem que ganhou novo significado

"Candle in the Wind" trouxe outro momento marcante.

A música, originalmente escrita por Elton John e Bernie Taupin em homenagem a Marilyn Monroe, ganhou uma segunda vida quando foi adaptada para homenagear Diana, princesa de Gales.

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No palco do Rock in Rio, Elton voltou à versão dedicada a Marilyn, aproveitando o centenário do nascimento da atriz.

A escolha acrescentou uma camada de memória ao espetáculo.

Elton cantava sobre uma figura que morreu há décadas enquanto ele próprio subia ao palco carregando mais de meio século de história.

Era impossível não perceber o contraste.

Quando a nova geração entra em cena

Se o show poderia facilmente ter se apoiado apenas nos clássicos, Elton fez questão de mostrar que sua relação com a música contemporânea continua forte.

"Cold Heart", parceria com Dua Lipa, colocou uma composição de Elton em contato direto com o pop atual.

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A faixa representa uma característica importante de sua carreira: a capacidade de se reinventar sem abandonar a própria identidade.

Elton não precisou abandonar o piano para conversar com uma nova geração.

Levou o piano com ele.

E foi justamente essa mistura entre passado e presente que fez a música funcionar tão bem no festival.

"I'm Still Standing" ganha outro peso

Pouco antes do final, Elton apresentou "I'm Still Standing".

A escolha parecia feita sob medida para aquele momento.

A música fala sobre resistência e sobrevivência. No Rock in Rio, diante de um artista de 79 anos que já anunciou o encerramento de sua grande turnê mundial, as palavras ganharam um significado adicional.

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Elton passou décadas na estrada.

Enfrentou mudanças na indústria.

Viu formatos musicais nascerem e desaparecerem.

Assistiu ao vinil virar CD, ao CD perder espaço para o streaming e às músicas migrarem para o celular.

E continuou cantando.

Continua de pé.

O último capítulo foi escrito com "Your Song"

Depois de uma sequência de grandes sucessos, Elton encerrou o espetáculo com "Your Song".

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É difícil imaginar uma escolha mais adequada.

A música foi uma das primeiras grandes demonstrações da parceria entre Elton John e Bernie Taupin e permanece como uma das composições mais reconhecidas do artista.

Sem precisar de uma grande explosão final, Elton deixou o público com uma canção delicada.

Depois de tudo, restou a essência.

Uma voz.

Um piano.

Uma música.

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E milhares de pessoas cantando junto.

O legado não cabe em um palco

O Rock in Rio costuma ser associado às grandes multidões, aos espetáculos monumentais e aos encontros improváveis.

Elton John mostrou outra possibilidade.

Um artista pode dominar um dos maiores palcos do mundo simplesmente porque tem músicas suficientes para preenchê-lo.

A apresentação de 2026 reforçou que seu legado não está apenas nos números, nos prêmios ou nas décadas de carreira.

Está na permanência.

Na capacidade de uma música escrita há meio século ainda provocar reação imediata.

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Na possibilidade de pais apresentarem Elton aos filhos e, décadas depois, esses filhos cantarem as mesmas músicas em um festival.

É por isso que a apresentação de Elton John no Rock in Rio não precisou ser apenas uma despedida.

Foi uma prova.

A prova de que algumas canções não envelhecem.

Elas apenas encontram novas pessoas para cantá-las.

Setlist de Elton John no Rock in Rio 2026

01. Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding

02. Bennie and the Jets

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03. I Guess That's Why They Call It the Blues

04. Philadelphia Freedom

05. The One

06. Tiny Dancer

07. Sacrifice

08. Honky Cat

09. Rocket Man

10. Levon

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11. Sorry Seems to Be the Hardest Word

12. Someone Saved My Life Tonight

13. Have Mercy on the Criminal

14. Candle in the Wind

15. Goodbye Yellow Brick Road

16. Bad Songs

17. Don't Let the Sun Go Down on Me

18. Crocodile Rock

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19. Saturday Night's Alright for Fighting

20. I'm Still Standing

21. Cold Heart

22. Skyline Pigeon

23. Your Song

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