O cantor Netinho faleceu aos 60 anos, em Salvador, vítima de disfunção múltipla de órgãos decorrente de um linfoma não Hodgkin. Famoso nacionalmente pelo hit "Milla", lançado em 1996, o artista baiano marcou a história do axé music desde a década de 1980, inicialmente à frente da Banda Beijo. Ele também teve atuações na vida política e deixa uma filha. Atendendo a um desejo do músico, as cerimônias de velório e cremação serão restritas apenas a familiares e amigos próximos.
O cantor Netinho, famoso pela canção Milla, faleceu na manhã de hoje em Salvador, aos 60 anos. A notícia foi divulgada nas redes sociais do artista, que vinha tratando um linfoma não Hodgkin tipo B, conforme informações da assessoria de imprensa.
O quadro de saúde do músico, cujo nome de batismo era Ernesto de Souza Andrade Júnior, evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Em nota, a equipe do cantor afirmou que ele "partiu tranquilo", honrando um de seus últimos pensamentos.
"Durante os últimos meses de tratamento, costumava dizer: 'Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte'", registrou a nota, expressando o sentimento do artista.
O diagnóstico de linfoma não Hodgkin foi recebido por Netinho em março de 2025. Na ocasião, ele permaneceu internado por 25 dias, após apresentar fortes dores nas pernas e costas. Chegou a receber alta e retomar a agenda de shows.
Contudo, a doença retornou este ano, levando o cantor a um novo ciclo de tratamento com quimioterapia. A equipe do artista informou que o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, atendendo a um desejo expresso por Netinho, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, Netinho nasceu em 1966. Aos 9 anos, mudou-se para Salvador com a família, após a perda do pai em um acidente de carro. Foi na capital baiana que desenvolveu seu interesse pela música, aprendendo a tocar violão de forma autodidata.
Sua carreira profissional começou durante a faculdade de Engenharia Civil. Em 1984, estreou no Carnaval, desfilando no Bloco Beijo, que na época era liderado por Luiz Caldas & Banda Acordes Verdes. Quatro anos depois, em 1988, alcançou projeção nacional e internacional como vocalista da Banda Beijo.
No ano seguinte, 1989, Netinho se tornou o primeiro artista de axé a se apresentar no programa Domingão do Faustão. Em 1990, durante a Copa do Mundo, participou de um feito inédito para o gênero musical ao levar um trio elétrico para fora do Brasil, em uma viagem de navio à Itália que durou dois meses.
O grande sucesso de sua trajetória foi Milla, lançada em 1996. A canção era uma regravação da banda Jheremmias Não Bate Córner, grupo que posteriormente daria origem ao Jammil e Uma Noites. Sua vida pessoal também foi marcada pelo casamento com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve sua única filha, Bruna.
Em 2008, Netinho declarou publicamente ser bissexual em entrevista à revista Quem. Ele afirmou: "Eu gosto de meninos e meninas, mas hoje gosto mais de meninas. Eu me considero bissexual.
Nos últimos anos de sua vida, o cantor se declarou conservador e chegou a concorrer a deputado federal pelo Partido Liberal (PL). No pleito, Netinho recebeu aproximadamente 30 mil votos, não sendo eleito para o cargo.