Predella, um dos nomes por trás do Costa Gold — grupo que marcou o rap brasileiro nos anos 2010 com cinco álbuns de estúdio —, enfrenta processos na Justiça após cobrar por colaborações musicais que não foram entregues. Segundo relatos colhidos pelo g1, músicos pagaram entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil por participações do rapper em faixas, negociadas diretamente pelas redes sociais, mas não receberam as gravações. O próprio artista confirmou ao portal que recebeu os pagamentos e não cumpriu os acordos, atribuindo a situação a dificuldades pessoais e financeiras pelas quais vem passando.
Os casos seguem um padrão semelhante. O interessado via, nas publicações do Instagram de Predella, um anúncio de vagas para participações, entrava em contato por mensagem direta, realizava o pagamento via Pix e aguardava a gravação, que deveria ser entregue em até 15 dias, conforme o próprio roteiro enviado pelo rapper. Na prática, os prazos nunca foram cumpridos. Um dos processos, movido por Carlos Otávio Guilhon na Justiça do Paraná, reúne o pedido de ressarcimento de R$ 4,5 mil, valor pago em dezembro de 2023, além de uma indenização por danos morais de R$ 6 mil. Outro músico, Roberto Zens, afirmou ao g1 ter recebido "mais de 50 desculpas diferentes" ao longo de meses de tentativas de contato após pagar em janeiro de 2025. Victor Augusto de Paula, que pagou R$ 1,5 mil em setembro de 2025, registrou boletim de ocorrência.
A situação se agrava quando se observa a escala das ofertas. Zens notou que, apesar de o rapper anunciar vagas "exclusivas" — apenas duas por semestre —, as postagens com novas oportunidades de participação apareciam com regularidade mensal. A prática de vender participações musicais é comum no universo do rap e do funk brasileiro, em que uma participação com um artista de renome pode inflar o número de ouvintes mensais no Spotify e abrir portas para shows e contratos. Foi essa lógica que levou os envolvidos a confiar no nome de Predella e a realizar os pagamentos.
O rapper, por sua vez, se manifestou em um áudio enviado ao g1. "Tenho 20 anos de carreira, nunca tive problema com esse tipo de coisa. De uns tempos pra cá, passei por situações delicadas, difíceis, financeiras, de familiar doente. Fiquei praticamente 60 dias sem poder trabalhar. Por isso, encavalou uma série de entregas", disse. Ele prometeu um prazo curto para a resolução dos casos e afirmou estar disponível para contato pelas redes sociais.
O contexto de dificuldade financeira já havia sido exposto pelo próprio artista anteriormente, quando colocou em leilão itens marcantes de sua carreira, incluindo o certificado de platina de "UAU!", placas do Costa Gold e outros objetos históricos.
Depois da repercussão dos casos, Predella deu sinais de que começou a cumprir os acordos pendentes. No dia 4 de agosto, o rapper publicou nos stories do Instagram uma atualização direta: "5 feats entregues hoje! Amanhã retornamos ao estúdio para mais".
O momento é delicado para um artista que ajudou a construir um dos grupos mais influentes do rap nacional. Em setembro de 2023, o Costa Gold anunciou uma pausa por tempo indeterminado. Desde então, Predella vem atravessando uma fase de transição pública e conturbada, com relatos de crise financeira, leilão de memorabilia e, agora, processos judiciais.