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Frank Beard, baterista do ZZ Top, morre aos 77 anos

Músico incansável sustentou a banda do Texas em sucessos como 'La Grange', 'Tush' e 'Legs' ao longo de sua trajetória de cinco décadas

18 ago 2026 - 17h07

Frank Beard, baterista de longa data e conhecido por sua batida vigorosa na lendária banda de rock texana ZZ Top, morreu na segunda-feira, 17. Ele tinha 77 anos.

Frank Beard, baterista do ZZ Top, em 2025
Frank Beard, baterista do ZZ Top, em 2025
Foto: Daniel Knighton / Getty Images / Rolling Stone Brasil

Bob Merlis, representante da banda, confirmou a notícia. Beard faleceu enquanto recebia cuidados paliativos, cercado pela família, em seu rancho em Richmond, Texas. A causa exata não foi divulgada.

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O ZZ Top também anunciou o cancelamento do show agendado para esta noite (18 de agosto) em Salt Lake City e da apresentação de quarta-feira (19 de agosto) em Colorado Springs. A turnê atual da banda será retomada neste fim de semana em Austin.

Beard enfrentou vários problemas de saúde graves ao longo dos anos. Em 2002, ele perdeu alguns shows após passar por uma apendicectomia de emergência, enquanto em 2025 afastou-se "temporariamente" devido a problemas de saúde não especificados.

No início deste mês, o ZZ Top cancelou abruptamente uma apresentação no Hollywood Bowl, em Los Angeles, citando "obstáculos insuperáveis". Mais tarde, revelou-se que a saúde de Beard era a causa, embora, novamente, nenhum detalhe específico tenha sido fornecido.

Embora tecnicamente não fosse um membro fundador, Beard foi o baterista definitivo e de longa data do ZZ Top. Ele se juntou ao guitarrista e vocalista Billy Gibbons depois que o ZZ Top lançou seu primeiro single, "Salt Lick" (que contava com o baterista Dan Mitchell), e foi o responsável por trazer o baixista Dusty Hill para a banda.

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Enquanto grande parte da aura do ZZ Top girava em torno de seus ganchos musicais, riffs e pelos faciais, Beard — que, ironicamente, não usava barba ("beard" em inglês) — era a âncora indispensável. Ele era um mestre do shuffle texano, um groove de bateria sólido e preciso que sustentava a sonoridade característica de blues-rock boogie do ZZ Top em sucessos clássicos como "Tush" e "La Grange".

A forma de tocar de Beard era precisa e incansável. No documentário de 2019, ZZ Top: That Little Ol' Band from Texas, ele relembrou a primeira vez que tocou com Gibbons: "Eu estava pilhado de anfetamina, então fiz ele tocar comigo por umas oito horas, até a língua dele praticamente cair para fora".

Gibbons acrescentou sobre a experiência: "Não levou 30 minutos, nem 30 segundos — eu soube que Frank Beard tinha o tipo de habilidade que eu procurava. Ele tocava com garra. Tocava com determinação".

Sobre Frank Beard

Frank Beard nasceu em 11 de junho de 1949, na pequena cidade de Frankston, Texas. Ele começou tocando em bandas durante o ensino médio e acabou se tornando uma figura constante na cena musical de Dallas, onde conheceu Dusty Hill. Os dois tocaram juntos em vários grupos durante a década de 1960, incluindo The Warlocks, American Blues e até mesmo a infame versão falsa do The Zombies, que fez turnê depois que o grupo original de rock psicodélico inglês havia se separado.

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A carreira de Beard quase estagnou depois que ele engravidou a namorada; o casal se casou, começou a criar o filho e passou um tempo morando com os pais de Beard. Mas, após mudar com a família para Houston, Beard foi apresentado a Billy Gibbons, que na época tocava em um grupo chamado Moving Sidewalks. Beard logo se juntou ao grupo, trouxe Hill, e a banda mudou seu nome para ZZ Top.

Sob a orientação do empresário e produtor Bill Ham, o ZZ Top passou seus primeiros anos fazendo shows constantemente onde quer que fosse possível. Embora seu álbum de estreia de 1971, ZZ Top's First Album, não tenha entrado nas paradas nem gerado singles de destaque, o grupo foi construindo uma reputação sólida na estrada. Em entrevista à Rolling Stone em 1984, Beard creditou a Ham o mérito de agendar com inteligência as apresentações do ZZ Top como banda de abertura para atrações principais que dificilmente deixariam uma marca duradoura no público.

"Quando éramos a atração de abertura, ele sempre conseguia nos colocar em uma turnê com uma banda que já estava acabada — que estava prestes a se separar e fazendo turnê apenas pelo dinheiro. A gente subia no palco e simplesmente arrasava. Fizemos isso com Mott the Hoople, Alice Cooper, Deep Purple. A carreira deles estava chegando ao fim, e eles não ligavam para quem soubesse disso; assim, as pessoas acabavam se lembrando da gente."

O ZZ Top finalmente alcançou o sucesso em meados da década de 1970. O álbum de 1973, Tres Hombres, entrou para o Top 10 da parada de álbuns Billboard 200, conquistou o disco de ouro nos EUA e trouxe a inesquecível "La Grange". O álbum seguinte, Fandango! (1975), obteve desempenho semelhante, impulsionado por "Tush", o primeiro single da banda a chegar ao Top 20. No entanto, apesar desse sucesso crescente, o ZZ Top parecia confundir a imprensa especializada em rock, que tendia a menosprezar o grupo ou a classificá-lo junto com outras bandas de rock sulista.

"Havia aquela história de que 'você precisa ir para a Califórnia, precisa ir para Nova York'", disse Beard no documentário de 2019. "E nós nos recusamos a fazer isso."

Após o lançamento de outro álbum em 1976, Tejas, o ZZ Top fez uma breve pausa, em parte para que Beard pudesse ficar sóbrio. Em That Little Ol' Band from Texas, Beard admitiu ter gasto grande parte do dinheiro que ganhou nessa época com drogas — principalmente comprimidos, cocaína e heroína.

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"Todo o dinheiro que desperdicei... isso é algo de que me arrependo", disse ele. "Vendi minha bateria Ludwig original para comprar drogas. Relacionamentos que estraguei... No fundo, eu sabia que precisava largar a heroína. Precisava parar de usar cocaína. Eu já tinha experimentado de tudo e não dava para ir além daquilo."

O ZZ Top retornou em 1979, assinando um novo contrato com a Warner Bros. Records e lançando seu sexto álbum, Degüello. O disco alcançou a 24ª posição na Billboard 200 e deu início a uma trajetória de enorme sucesso, com a banda desfrutando de um auge comercial prolongado ao longo dos anos 80 e início dos anos 90. Nesse período, o ZZ Top lançou álbuns com certificação multiplatina, como Eliminator (1983), Afterburner (1985) e Recycler (1990); emplacou singles no Top 10, como "Legs" e "Sleeping Bag"; e tornou-se presença constante na MTV graças a videoclipes memoráveis para músicas como "Gimme All Your Lovin'" e "Sharp Dressed Man".

Nas décadas seguintes, o ZZ Top continuou gravando e fazendo turnês. A banda foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame em 2004 e, em 2012, lançou La Futura, que viria a ser seu último álbum com Hill, falecido em 2021. Gibbons e Beard continuaram a fazer turnês sem Hill, embora problemas de saúde de Beard ocasionalmente o obrigassem a se afastar das estradas.

Fora da música, Beard possuía e administrava um rancho em Richmond, no Texas, e cultivava o gosto pelo golfe e por corridas de automóveis. Ele e sua esposa, Debbie, tiveram filhos gêmeos e também ajudaram a criar a filha de Beard, fruto de um casamento anterior.

Ao falar sobre os mais de 50 anos que passou ao lado de seus companheiros de banda no ZZ Top — a "That Little Ol' Band from Texas" (aquela bandinha lá do Texas) —, Beard disse:

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"Eu diria que, para mim, encontrei as pessoas com quem quero tocar. E consegui isso muito cedo. Ainda estou satisfeito com eles. Estou satisfeito com o Dusty e estou satisfeito com o Billy. Com esses dois caras, nunca tive vontade de pedir demissão nem de ser demitido."

Rolling Stone Brasil
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