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Estrela do indie-pop, Rachel Chinouriri abre o coração em novo álbum

Em 'I Think I Spoke Too Soon', a cantora e compositora britânica reavalia como quer ser tratada em todos os tipos de relacionamento, sobretudo naquele que mantém consigo mesma

14 out 2026 - 16h47
Resumo
Em seu segundo álbum, I Think I Spoke Too Soon, a britânica Rachel Chinouriri aposta em um ritmo dançante e acelerado para embalar reflexões melancólicas e profundas. Contrastando arranjos grandiosos com letras confessionais sobre solidão, sobriedade e autocrítica, a artista expõe a lacuna entre o sucesso exterior e a tristeza real. A obra consolida sua maturidade artística ao unir uma vulnerabilidade crua a uma sonoridade indie-pop e sintetizadores sofisticados sem se afastar da realidade.

Há um vazio em torno do solo de guitarra em "Shiver", uma faixa profunda e envolvente do segundo álbum de estúdio da queridinha do indie-pop britânico, Rachel Chinouriri. A produção é, ao mesmo tempo, distante e avassaladora, refletindo a turbulência interior da artista de 27 anos. Ela se sente sozinha novamente, assombrada por memórias, e é como se suas palavras se dissolvessem no ar antes de alcançar qualquer ouvinte. Ainda assim, ela canta: "A vida continua, e continua, e continua". Mas como ela quer que essa vida seja?

Rachel Chinouriri no Daisy Chain Fields Festival 2026
Rachel Chinouriri no Daisy Chain Fields Festival 2026
Foto: Monica Schipper/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Chinouriri percebe que precisa fazer algumas mudanças em I Think I Spoke Too Soon. Isso se reflete no aumento do BPM ao longo do disco, uma mudança ousada em relação à sua estreia, What a Devastating Turn of Events (2024). Ela passa a maior parte do álbum fisicamente na pista de dança — às vezes o lugar mais solitário possível, não importa o quão lotado esteja —, embora mentalmente esteja imersa em seus próprios pensamentos. Mas as maiores mudanças surgem à medida que ela reavalia como deseja ser tratada em todos os tipos de relacionamento, especialmente naquele que mantém consigo mesma.

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A última vez que ouvimos Chinouriri, no EP Little House (2025), seu mundo estava repleto de amor; ela fantasiava sobre um futuro de domingos tranquilos e sobre construir uma vida a partir dos momentos mais cotidianos. Há um vislumbre disso em "AAAHHH!!!", uma faixa de indie rock que é, ao mesmo tempo, ansiosa e apaixonada; mas, acima de tudo, Chinouriri tenta diminuir a distância entre as verdades percebidas — de que ela tem o relacionamento, a carreira e qualquer outra combinação de ingredientes capaz de gerar felicidade — e a realidade teimosa de que ela ainda se sente profundamente triste.

"Tenho a pele grossa, mas os cortes de papel ainda me atingem aos montes", canta Chinouriri em "Crash This Car", resumindo perfeitamente o álbum. Em "Broken Chair", ela se divide em duas para retratar o que a levou à sobriedade. "Diga-me o que fiz, não consigo me lembrar / Como a minha melhor metade, não posso defendê-la", ela canta. "Ela está vomitando na sarjeta / Está ficando muito difícil amá-la." Ela revisita essa preocupação ao longo do álbum, avaliando a si mesma à distância. "Ela nunca esteve com uma aparência melhor", observa em "One Song Away From Crying". "Ela nunca se sentiu pior."

E, no entanto, ela nunca soou tão bem — sua voz é como seda, suave em contraste com as revelações mais ásperas. Sua composição carrega uma franqueza nitidamente evoluída, o que é um feito notável para alguém tão deliberadamente exposta quanto Chinouriri. "The Good Fight" é um ponto alto da carreira; sua distorção etérea embaralha pensamentos de irritação, arrependimento e autodestruição.

"Você gosta de não conseguir se lembrar de ontem?", ela questiona. "Ou será que eu gosto do gosto de bile enjoativa e das dores de estômago?" Seu instinto para confissões intensas chama a atenção para as músicas que ela aborda de forma mais leve, como "Baby Steps" e "Pretty Girls".

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Ainda assim, Chinouriri não apresenta sua incursão pela música dançante repleta de sintetizadores como um mero disfarce para sua tristeza, solidão e desespero. Mesmo as instrumentações mais grandiosas e bombásticas — como a virada de bateria em "Parasite", que remete a Phil Collins — carregam uma melancolia inerente. Não há um brilho artificial quando ela canta "Se você não me amava naquela época, ame-me agora, só para que eu possa sentir isso", sobre uma produção industrial trêmula na faixa "Make Believe". I Think I Spoke Too Soon é fantástico, mas nunca desconectado da realidade.

Rolling Stone Brasil
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