Escola em Utah onde Paris Hilton teria sofrido abusos tem licença revogada: 'Infinitamente grata'

"Hoje, as crianças que ainda estão naquela instituição sabem que finalmente alguém virá protegê-las", disse Hilton à Rolling Stone

8 jul 2026 - 16h46

De acordo com a BBC, o internato em Provo, Utah, onde Paris Hilton alegou ter sofrido abusos na adolescência, perderá sua licença.

Paris Hilton
Paris Hilton
Foto: Rodrigo Varella / Getty Images / Rolling Stone Brasil

"Por mais de cinquenta anos, crianças relataram casos de abuso, negligência e trauma", disse Hilton à Rolling Stone em comunicado. "Hoje, o estado confirmou o que os sobreviventes já sabiam: a Provo Canyon School falhou com as crianças sob seus cuidados. Eu era uma dessas crianças. Sei o que é clamar por ajuda e acreditar que ninguém virá. Hoje, as crianças que ainda estão naquela instituição sabem que finalmente alguém virá protegê-las."

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O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Utah (DHHS) enviou uma carta à Provo Canyon School nesta segunda, 7, informando que todos os serviços em seu campus de Springville devem ser encerrados até 6 de agosto devido ao "descumprimento crônico e contínuo, por parte do provedor, das regras, estatutos ou requisitos aplicáveis".

A notificação citou vários casos em que o DHHS considerou que a escola não cumpriu as normas. Entre eles, "o uso de contenção física desnecessária e contato físico agressivo" com um residente e "a falha em garantir que cada residente tenha o direito de estar livre de possíveis danos ou atos de violência". Os administradores da escola têm 15 dias para solicitar uma audiência sobre a decisão.

Um representante da Provo Canyon School disse à Rolling Stone que não pode comentar sobre a "condição, permanência ou cuidados" de nenhum residente específico. "O Campus de Springville nunca enfrentou um processo de revogação de licença desde a sua inauguração", afirmou. "Discordamos da decisão do estado de revogar a licença do Campus de Springville e estamos avaliando todas as opções legais e administrativas disponíveis, incluindo um recurso. Nossa prioridade continua sendo fornecer cuidados e apoio seguros e de alta qualidade para adolescentes e suas famílias, e permanecemos comprometidos em atender aqueles que precisam."

Hilton, de 45 anos, falou sobre suas experiências na Provo Canyon School no documentário de 2020, A Verdadeira História de Paris Hilton. Ela disse que seus pais a enviaram para lá em meados da década de 1990, quando ela era adolescente, porque achavam que suas festas estavam fora de controle. Enquanto esteve lá, Hilton alegou ter sido espancada, colocada em confinamento solitário por até 20 horas e ter recebido pílulas desconhecidas. Seus pais não tinham ideia do que ela estava passando, disse ela.

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Em declaração sobre a revogação da licença da escola, Hilton acrescentou: "A menina dentro de mim, a quem disseram que nunca seria acreditada, sente-se tão validada hoje. Estávamos dizendo a verdade. Sempre estivemos. Nenhuma instituição é tão poderosa a ponto de não poder ser responsabilizada. Quando as sobreviventes se recusam a permanecer em silêncio, a mudança é possível."

Hilton também comemorou a notícia no Instagram. "Embora nada possa apagar o trauma que muitos de nós sofremos, hoje é um passo importante para proteger as futuras gerações", escreveu. "A todos os sobreviventes que compartilharam suas histórias, a todos os defensores que estiveram ao nosso lado e a todos que acreditaram em nós — este momento pertence a todos nós. Sou infinitamente grata a cada pessoa que ajudou a tornar isso possível."

Em relação às alegações de Hilton, a escola divulgou um comunicado em 2020 informando que seu proprietário havia mudado em 2000; naquele ano, a empresa controladora da escola, a Universal Health Services, pagou US$ 117 milhões para resolver supostas violações da Lei de Reclamações Falsas (False Claims Act) que, entre outras proteções, busca garantir que clientes recebam serviços adequados e apropriados.

Em 2021, Hilton discursou no Capitólio em apoio a uma declaração de direitos para adolescentes em tais instituições. "Na Provo Canyon School, em Utah, recebi roupas com um número na etiqueta. Eu não era mais eu mesma, eu era apenas a número 127", disse aos membros do Congresso. "Fui forçada a ficar confinada por 11 meses seguidos, sem luz solar, sem ar fresco. Isso era considerado um privilégio. Fui estrangulada, esbofeteada, observada no chuveiro por funcionários homens, xingada com nomes vulgares, forçada a tomar medicamentos sem diagnóstico, não recebi uma educação adequada, fui jogada em confinamento solitário em uma cela coberta de arranhões e manchas de sangue, e muito mais."

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Em um artigo de opinião em vídeo publicado no New York Times em 2022, a celebridade fez novas acusações de abuso sexual contra funcionários da escola. "Bem tarde da noite — por volta das três ou quatro da manhã — eles nos levavam, a mim e a outras meninas, para uma sala e faziam exames médicos", afirmou. "Nem era um médico. Eram alguns funcionários diferentes que nos faziam deitar na maca e colocavam os dedos dentro de nós. E eu não sei o que estavam fazendo, mas definitivamente não era um médico." Naquele ano, o Times noticiou que a escola enfrentava um processo no qual 49 pessoas alegavam que um ex-diretor médico as havia abusado sexualmente.

A afiliada da ABC em Springville, Utah, KTVX, noticiou que a escola enfrentou sanções de emergência em maio, após as autoridades descobrirem que ela teria atrasado o tratamento médico de uma paciente de 13 anos, cuja família entrou com um processo. O processo também alegava que uma adolescente desenvolveu um problema renal após o tratamento médico ter sido atrasado por nove dias.

Rolling Stone Brasil
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