Ebony recebe Medalha Tiradentes na UERJ e se torna a primeira mulher homenageada com a honraria

Cerimônia marcou também o lançamento da Universidade do Hip Hop e do livro 'MC Não É Bandido'

1 jul 2026 - 16h25

A rapper Ebony recebeu a Medalha Tiradentes — a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — em cerimônia realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na última terça, 30.

Ebony
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Foto: Fernando Mendes / Rolling Stone Brasil

Criada em 1989, a medalha reconhece pessoas e entidades que prestaram serviços relevantes ao estado. Com a premiação, Ebony entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a receber a distinção. A homenagem foi proposta pela deputada Dani Monteiro, presidenta da Frente Parlamentar em Defesa do Hip Hop na Alerj.

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Batizado de "Hip Hop Contra o Feminicídio", o evento reuniu nomes do hip hop, da produção musical e do meio acadêmico para debater como o acesso à cultura pode contribuir no enfrentamento à violência contra a mulher. A cerimônia também marcou o lançamento da Universidade do Hip Hop, iniciativa que selecionou oito MCs para atividades de extensão na instituição.

Para Ebony, nascida em Queimados, na Baixada Fluminense, e que construiu a própria trajetória à margem dos esquemas tradicionais da indústria musical, o reconhecimento dentro de uma universidade teve um peso particular. "É surreal a sensação de ciclo completo, porque eu, como uma jovem preta periférica, durante muito tempo senti que o mundo universitário era o oposto de mim. Então, ter uma homenagem desse tipo dentro do meio acadêmico, dentro do meio universitário, que eu respeito de uma forma imensurável, é um motivo de realmente sentir que o que eu estou fazendo tem sentido, de que algo eu estou fazendo certo", declarou. A artista também deixou uma mensagem para jovens negros e negras: "Espero que isso sirva para inspirar outras jovens negras, outros jovens negros, a entender que não existe nenhum lugar no mundo que eles não possam ocupar, desde que acreditem neles mesmos".

Considerada hoje uma das vozes mais importantes do rap feminino brasileiro, Ebony constrói há anos uma discografia que enfrenta diretamente temas como racismo, machismo, sexualidade e saúde mental. A cerimônia na UERJ reforça um movimento crescente de reconhecimento institucional do hip hop como ferramenta de transformação social, especialmente quando protagonizado por mulheres negras e periféricas que historicamente ocuparam espaços apesar das estruturas, e não por causa delas.

O evento também apresentou ao público o livro MC Não É Bandido, que traz um texto de contracapa assinado pela própria Ebony. Na prática, a publicação reforça o argumento central da iniciativa: o hip hop não é apenas expressão cultural, mas instrumento de resistência, educação e combate à violência, e vozes como a de Ebony, que saiu da periferia fluminense para os palcos nacionais e agora chega ao ambiente universitário, são uma prova concreta disso.

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Rolling Stone Brasil
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