O hit do Kiss que enfim levou mulheres aos shows: 'só tinha macho na plateia'

Bob Ezrin, produtor que ajudou na virada de chave, explica como balada de Peter Criss 'humanizou' a banda e atraiu público feminino

27 jun 2026 - 10h04

Nos primeiros anos da década de 1970, o Kiss era uma banda de nicho, sustentada por uma imagem agressiva e um som cru. Segundo o produtor Bob Ezrin, que já havia trabalhado com Lou Reed e Alice Cooper, o público do grupo na época era composto quase exclusivamente por "moleques espinhentos de 15 anos".

Kiss em 1976 (E
Kiss em 1976 (E
Foto: D): Ace Frehley, Peter Criss, Paul Stanley e Gene Simmons ( Michael Ochs Archives / Getty Images) / Rolling Stone Brasil

Em entrevistas à CBS e ao podcast Rockounters (via Guitar Player e Classic Rock), Ezrin relembrou que a banda carregava uma aura puramente machista que afastava o público feminino. "Só tinha macho na plateia", descreve o produtor, que foi o arquiteto da mudança de patamar do grupo com o álbum Destroyer (1976).

Publicidade

Para tanto, o grande divisor de águas foi a balada "Beth". Originalmente composta para Becky, esposa de Peter Criss, a canção foi escrita com auxílio de um antigo colega do baterista, Stan Penridge, e do próprio Bob Ezrin.

Ao ouvir a demo, Ezrin percebeu um potencial que Gene Simmons e Paul Stanley ignoravam. Para o produtor, o Kiss precisava de uma "vulnerabilidade humana" para expandir seu público.

Fazendo uma analogia cinematográfica, Ezrin explicou à banda que, até então, eles eram como o personagem "mau e desagradável" de Lee Marvin no filme O Selvagem (1953). O objetivo dele era transformá-los no personagem de Marlon Brando: alguém que, apesar da casca grossa, possuía uma sensibilidade capaz de fazer as mulheres pensarem: "eu amo esse cara e vou consertá-lo".

O produtor brinca:

Publicidade

"Você precisa deixar as garotas da América sentirem que talvez elas possam te ajudar."

Kiss e a inclusão de "Beth" em Destroyer

A inclusão de "Beth" no álbum, porém, não foi pacífica. Simmons e Stanley resistiram, acreditando que uma balada ao piano, acompanhada por uma orquestra, não representava a identidade do Kiss. Até o empresário Bill Aucoin teria sido contra, inicialmente, por motivos pessoais (o nome de sua ex-mulher era Beth).

A música acabou lançada como o lado B do single "Detroit Rock City". No entanto, as rádios começaram a ignorar o rock explosivo do lado A para tocar repetidamente a melodia suave de Peter Criss. O resultado foi um sucesso sem precedentes para a banda: "Beth" chegou ao 7º lugar na Billboard Hot 100, tornando-se o single de maior sucesso da história da banda nos Estados Unidos.

A estratégia de Ezrin provou-se certeira. Ao mostrar um lado mais "doce e ferido", o Kiss rompeu a barreira do gênero e finalmente abriu as portas para um público mais amplo.

Rolling Stone Brasil
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se