No início do segundo semestre de 2025, uma jovem banda de notória semelhança com o Led Zeppelin viralizou por meio do Instagram. Trata-se do Jayler, que, menos de um ano depois, subiu ao palco do Allianz Parque, para tocar no Monsters of Rock 2026 antes de Guns N' Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen e Dirty Honey. A escalação não ocorreu simplesmente devido a um fenômeno de rede social: de longe as pessoas que mais interagiram online com o grupo são brasileiras, conforme os próprios confirmaram em entrevista à Rolling Stone Brasil.
Mesmo diante de um público diminuto que, às 11h30, ainda entrava no estádio em São Paulo, o quarteto formado em 2022 por James Bartholomew (voz e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) realizou a maior apresentação de sua carreira, bem como a mais distante de sua terra natal, a Inglaterra: até então, fora do Reino Unido, eles haviam tocado apenas em alguns países europeus, como Grécia e Suécia. Um tanto surreal para garotos de aproximadamente 20 anos.
O Jayler devia estar ciente de tudo isso, pois deixou a impressão de ter entregue tudo de si durante o show do último sábado, 4. Foi despertando curiosidade com seu som fortemente baseado no Zeppelin, mas não limitado a isso. Seja pela música em si (que, pastiche à parte, é boa), performance enérgica (às vezes até meio caótica) ou nítido esforço para conquistar a plateia, o grupo pareceu ter agradado quem chegou cedo para assisti-los ou guardar lugar para as apresentações posteriores. Até porque, ao vivo, faz bem mais sentido do que nas gravações de estúdio ou em vídeo.
Para além do visual de James Bartholomew, as referências ao Led Zeppelin surgem em boa parte do repertório. Os riffs de Tyler Arrowsmith em "Riverboat Queen" e a batida de Ed Evans em "Over the Mountain", por exemplo, colocam isso à mesa. Algumas composições chegam a remeter ao Greta Van Fleet, grupo que ficou famoso no fim da década passada justamente por soar como Zeppelin, como "Lovemaker".
Mas não se trata apenas disso. Há referências a AC/DC na ardida "No Woman", uma abordagem palatável em "Need Your Love", contornos épicos no encerramento "The Rinsk" e mergulhos mais notórios às raízes do blues na abertura "Down Below", com um dos diversos solos de gaita de Bartholomew, e na versão eletrificada para "I Believe to My Soul" (Ray Charles). O som fica até mais interessante quando, ocasionalmente, James assume a segunda guitarra, conforme notado nas citadas "No Woman" e "The Rinsk".
Talvez seja pouco para cravá-los como sensação do rock clássico contemporâneo, mas mostrou-se o bastante dentro da proposta de abrir o Monsters of Rock. E virais à parte, é uma banda formada por moleques de 20 anos aficionados por rock clássico e blues com seu primeiro álbum, Voices Unheard, ainda a ser lançado, em 29 de maio.
Repertório — Jayler no Monsters of Rock 2026
- Down Below
- The Getaway
- No Woman
- Riverboat Queen
- Lovemaker
- I Believe to My Soul (original de Ray Charles)
- Need Your Love
- Over the Mountain
- The Rinsk
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