A célebre capa do álbum Animals (1977), do Pink Floyd, nasceu de uma ideia de Roger Waters junto ao coletivo Hipgnosis para fotografar a usina de Battersea com um porco inflável gigante. Durante os ensaios em 1976, o balão se soltou e invadiu rotas aéreas de Londres antes de cair em Kent. Devido às variações do clima entre as sessões, a imagem final foi concluída por meio de uma montagem em estúdio, tornando-se um marco da cultura pop alinhado à crítica social orwelliana presente no disco.
A concepção visual da usina de Battersea para a capa do clássico álbum Animals (1977) consolidou um dos momentos mais inventivos do rock britânico produzido pelo Pink Floyd. A imagem marcante de um animal inflável posicionado entre as imponentes chaminés industriais transformou a antiga usina elétrica londrina em um monumento definitivo da cultura pop mundial.
A concretização dessa ousada proposta artística desafiou a infraestrutura técnica da época e provocou um descompasso operacional sobre Londres, mobilizando alertas na aviação civil e acionando patrulhas policiais.
Leia Mais
Como surgiu a ideia da capa do disco Animals do Pink Floyd
A capa de Animals nasceu a partir de uma ideia concebida pelo baixista Roger Waters, que observava frequentemente a arquitetura imponente da usina de Battersea ao se deslocar pela cidade. Em colaboração com o célebre coletivo de design Hipgnosis, o grupo decidiu produzir um balão inflável gigante em forma de porco preenchido com gás hélio para sobrevoar o monumento industrial.
O que aconteceu no voo do porco inflável sobre Londres
Em dezembro de 1976, os integrantes Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright deram início à sessão fotográfica coordenada pelo designer Storm Thorgerson, da Hipgnosis. O balão suíno de quarenta pés (aproximadamente doze metros), batizado de Algie, foi inflado com hélio para o registro. Durante o primeiro dia de testes, o tempo fechado impossibilitou capturar imagens com contraste satisfatório, contando ainda com um atirador de prontidão para abater o balão caso ele escapasse.
No segundo dia de trabalhos, sem a presença do atirador, fortes rajadas de vento romperam os cabos de amarração. O imenso artefato subiu descontroladamente aos céus de Londres, gerando apreensão e relatos curiosos:
- segundo relatos da época, o objeto entrou na rota aérea civil próxima ao aeroporto de Heathrow, levando pilotos a comunicarem o avistamento incomum aos controladores de voo;
- o incidente acionou alertas de monitoramento nas imediações da capital britânica enquanto a polícia acompanhava o trajeto do balão levado pelas correntes de ar;
- o porco inflável flutuou por dezenas de quilômetros até aterrissar em uma fazenda no condado de Kent, sem causar danos físicos a moradores da região;
- resgatado para o terceiro dia de ensaio, o balão voltou a ser inflado, mas as condições meteorológicas de céu azul diferiam da atmosfera densa registrada inicialmente.
Diante da disparidade climática entre os dias de produção, Storm Thorgerson optou por realizar uma montagem manual em estúdio. A imagem definitiva combinou o céu dramático e nublado do primeiro dia com a fotografia do porco capturada com estabilidade no terceiro dia da sessão.
O projeto gráfico sintetizou com precisão o tom lírico e a crítica social das canções "Dogs" e "Pigs (Three Different Ones)", inspiradas na obra do escritor George Orwell. O episódio permanece como um dos capítulos visuais mais emblemáticos da trajetória do Pink Floyd e da história do rock mundial.