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Caetano Veloso vai à Justiça após vídeo ofensivo de Lucas Pavanato

Vídeo publicado pelo deputado acumulou 288 mil curtidas antes de ser retirado do ar por ordem judicial

29 out 2026 - 11h14
Resumo
Caetano Veloso processou o deputado eleito Lucas Pavanato e Thiago Asmar após ser chamado de "vagabundo" em vídeo sobre as queimadas na Amazônia. O cantor pede R$ 50 mil de indenização por danos morais e retratação pública. A Justiça do Rio concedeu liminar para a remoção imediata do conteúdo sob pena de multa, apontando que a ofensa extrapolou o debate político. Enquanto Asmar apagou a publicação, Pavanato manteve os ataques na internet. O processo segue sem data de julgamento definitivo.

Em 19 de outubro, o vereador de São Paulo e deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) publicou, em parceria com Thiago Asmar um vídeo gravado em Manaus no qual chamava Caetano Veloso e Gilberto Gil de "vagabundos". A crítica girava em torno das queimadas na Amazônia e, segundo os dois, artistas de esquerda se recusavam a se posicionar sobre a crise ambiental enquanto supostamente lucravam com dinheiro público por meio da Lei Rouanet. Em menos de 24 horas, o conteúdo acumulou 288 mil curtidas e 33 mil compartilhamentos. Em 27 de outubro, Caetano entrou com uma ação na Justiça do Rio de Janeiro.

Caetano Veloso se apresenta no palco da Movistar Arena, em junho de 2026
Caetano Veloso se apresenta no palco da Movistar Arena, em junho de 2026
Foto: Mariano Regidor/Getty Images / Rolling Stone Brasil

O processo tramita na 2ª Vara Cível Cível da Regional de Jacarepaguá. Em 23 de outubro, antes mesmo de a ação ser formalizada pelo cantor, o juiz Livingstone dos Santos Silva Filho já havia concedido tutela de urgência e determinado a retirada do vídeo das redes sociais dos dois réus em até 48 horas, sob multa de R$ 50 por hora, limitada a R$ 20 mil por réu em caso de descumprimento. O magistrado também expediu ofício ao Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., responsável pelo Instagram no país, para que o conteúdo fosse derrubado em pelo menos três endereços. Na ação, Caetano pede R$ 50 mil de indenização por danos morais e a publicação de uma retratação pública nos mesmos perfis, com destaque equivalente ao do vídeo original.

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Na decisão, o juiz reconheceu que Caetano, por ser figura pública, está sujeito a críticas, mas considerou que o caso foi além disso. "O emprego da expressão 'vagabundos', dirigida ao autor e a outro artista, associada à atribuição de interesses financeiros como motivação de seus posicionamentos políticos, revela ataque pessoal que ultrapassa os limites da crítica política", diz o texto (via NC News).

Pavanato, que recebeu mais de três milhões de votos nas eleições e foi o deputado federal mais votado de São Paulo, não recuou após ser citado na ação. "Agora eu não posso mais considerar alguém 'vagabundo'? Para mim ele é! Se disse perseguido e censurado pelo regime militar, e hoje tenta fazer o mesmo comigo. Hipócrita", publicou no X. Thiago Asmar não se manifestou publicamente até o fechamento desta matéria, mas sua defesa informou que o vídeo foi removido logo após ele ser citado pela Justiça do Rio.

A decisão é provisória e não representa condenação definitiva. Pavanato e Asmar terão 15 dias para apresentar defesa, e o julgamento final, que decidirá sobre a indenização e a retratação, ainda não tem data marcada.

Rolling Stone Brasil
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