Após quase uma década, o rapper e produtor Cabês lança "Ciclos", seu quinto álbum autoral. Com 12 faixas centradas no clássico boom bap e parcerias com nomes como Rashid, o disco reflete sobre as constantes transformações da vida em três momentos: essência, reflexão e inspiração. Resgatando suas raízes de mais de 20 anos no hip-hop e no skate, o artista une bagagem pessoal e maturidade técnica para transmitir uma mensagem sobre resiliência, superação e continuidade dos sonhos.
"A gente tem a impressão de que a vida acontece em linha reta, mas eu enxergo muito mais como uma espiral", define o rapper Cabês, em comunicado à imprensa, sobre a inspiração para o novo trabalho, Ciclos. Quinto disco de sua carreira, o projeto, que marca o retorno do artista aos álbuns autorais após quase uma década, chegou às plataformas de áudio nesta sexta, 25.
Quase três anos de produção levaram à criação de cerca de 60 músicas, das quais 12 foram selecionadas para formar o projeto. Em Ciclos, Ricardo Pires, conhecido como Cabês, retorna às suas bases no hip-hop e mantém o boom bap no centro de sua criação: DJs e scratches estão presentes em todo o trabalho, como na faixa "História sem Fim", em parceria com Rashid.
A trajetória do artista no hip-hop começou em Curitiba, sua cidade natal, há mais de 20 anos. Neste período, lançou quatro discos antes do trabalho mais recente: Todo Dia É Assim (2009), Pra Onde As Pessoas Vão (2012), EP Revolução Constante Evolução Permanente (2013), O Tempo é Agora (2017).
"Ciclos representa pra mim essa eterna transformação que o ser humano passa durante a vida. São vários ciclos de crescimento, aprendizado, superação e assimilação de processos."
O projeto é organizado em três momentos: essência, reflexão e inspiração. Respectivamente os atos reúnem sentimentos de motivação, dúvida e esperança. Segundo Cabês, Ciclos fala sobre o processo de aprender determinadas lições, carregar o aprendizado e, por fim, seguir para uma nova etapa mais preparado.
O álbum reúne participações de artistas que acompanharam diferentes fases da trajetória do rapper. Nos vocais, o disco traz nomes como Matéria Prima, Bianca Hoffmann, Jamah, DJ Marco e DJ Vitonez, enquanto a produção musical é assinada por Nave Beatz, Skeeter Beats e Lemoskine. "Eu fiz questão de trazer pessoas que são parceiras de música, mas também de vida", relata Cabês. Para ele, as parcerias também ajudam a contar os ciclos de sua trajetória, "não são encontros aleatórios".
O projeto também chega ao público acompanhado de short film em formato de manifesto, produzido pela Sarça Filmes.
Entre cantar e produzir
Além de sua carreira como MC, Cabês atua como produtor e engenheiro de som. Em 2004 montou seu próprio estúdio, o Track Cheio, onde trabalhou ao lado de nomes como Karol Conká e Yago Oproprio.
Desde sua mudança para São Paulo, em 2018, foi deste lado que o artista se sobressaiu, segundo ele, esse momento foi parte fundamental da história que conta em Ciclos. "Minha mudança para São Paulo também foi um [ciclo] deles: precisei amadurecer e reaprender a navegar certas situações, agora vivendo no berço do rap e no centro econômico do Brasil. Esse disco nasce muito do que aprendi atravessando tudo isso", conta.
O retorno
Depois de navegar por diferentes estilos como produtor, Cabês conta que sentiu que era a hora de se reencontrar o ponto de partida da sua própria história, mas trazendo consigo toda a bagagem que adquiriu ao longo dos anos. "Eu quis voltar para a essência. Vim do skate, conheci o hip-hop na rua, passei pelo break, pelo graffiti e depois cheguei ao rap e à produção musical. Tudo isso formou a maneira como eu enxergo a música."
Segundo ele, o seu aprendizado com o skate o ajuda a contar a filosofia que quer transmitir com o álbum: "O skate me ensinou muito sobre cair, levantar e tentar de novo até acertar a manobra. Levei isso para a vida e para o hip-hop. O disco fala sobre acreditar no próprio potencial e se permitir sonhar, mesmo dentro de um sistema que muitas vezes faz a gente trocar os sonhos pela sobrevivência. É sobre encontrar maneiras de renovar a esperança e continuar em movimento".
O rapper diz ter entendido que pode contribuir com a transformação do seu mundo estimulando quem está ao seu redor. "Hoje eu entendo que até a raiva, quando organizada, pode virar combustível para transformação individual e coletiva", completa.