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Música com IA avança além das medidas de segurança, diz Universal

A companhia registrou alta de 12,3% na receita trimestral, mas alertou que mais de 90 mil faixas automáticas chegam ao streaming por dia.

30 out 2026 - 17h41
Resumo
A Universal Music alertou que o avanço de faixas geradas por IA supera a capacidade de controle do streaming, com mais de 90 mil uploads diários que distorcem paradas musicais e diluem receitas. O CEO Lucian Grainge criticou a divisão uniforme de lucros com conteúdos artificiais e planeja acionar cláusulas contratuais para impor rotulagem, desmonetização e remoção dessas obras. A cobrança ocorre mesmo após a gravadora faturar 3,39 bilhões de euros no trimestre, com alta de 12,3%.
Música com IA avança além das medidas de segurança, diz Universal
Música com IA avança além das medidas de segurança, diz Universal
Foto: The Music Journal

O avanço descontrolado de canções geradas por inteligência artificial colocou a Universal Music em postura de confronto direto com o ecossistema de streaming. Em conferência com investidores para divulgar os números financeiros do terceiro trimestre, o CEO da companhia, Sir Lucian Grainge, expôs dados da Deezer que revelam a inserção diária de mais de 90 mil faixas 100% automatizadas nas plataformas digitais.

Na visão do principal executivo da gravadora, os mecanismos desenvolvidos pelas empresas de tecnologia não conseguem acompanhar a velocidade dos uploads. Avaliando o quadro atual, Grainge afirmou que "o volume está crescendo mais rápido do que as medidas de segurança", reforçando a urgência de respostas mais firmes contra obras sintéticas que chegam aos ouvintes sem identificação transparente.

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As distorções já afetam gêneros segmentados. O executivo citou que paradas dedicadas ao blues em grandes serviços de áudio já tiveram cinco dos dez discos mais consumidos atribuídos a criadores virtuais não identificados. Ao analisar o episódio, ele frisou que "isso não é uma bagunça inofensiva". Como reação, a Universal Music Group planeja acionar termos contratuais para impor regras rígidas de rotulagem, cancelamento da monetização e até a remoção definitiva dessas produções artificiais.

A divisão de receitas praticada pelos serviços de streaming também foi alvo de críticas contundentes da multinacional. Segundo Grainge, "a aplicação uniforme de pagamentos proporcionais agrava o problema. Ao tratar o trabalho malfeito de IA da mesma forma que as melhores músicas do mundo, compostas por alguns dos maiores artistas, incentiva-se a produção de conteúdo em escala industrial e dilui-se a remuneração dos verdadeiros talentos".

A cobrança pública coincide com um período de forte desempenho financeiro para a Universal Music. No terceiro trimestre, a empresa registrou um salto de 12,3% em seu faturamento, alcançando 3,39 bilhões de euros (aproximadamente R$ 20,6 bilhões no câmbio atual). O resultado positivo teve como pilares a alta de 19,2% no segmento de assinaturas e o avanço de 17,4% na comercialização de mídias físicas.

Mesmo com o balanço favorável, o diretor digital Michael Nash declarou que as providências tomadas recentemente por gigantes do setor, entre elas Spotify e Apple Music, continuam aquém do necessário para proteger compositores que tiveram obras exploradas sem autorização prévia.

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