Ministro das Relações Exteriores do Brasil reaforça rigor analítico quanto a novos acordos diplomáticos

Mauro Vieira destaca comenta sobre acordos bilaterais da Argentina e condena escalada de violência entre Irã e Israel

2 mar 2026 - 18h51

Em entrevista ao programa "Modo Fontevecchia", transmitido pela Net TV e Rádio Perfil, Mauro Vieira confirmou que o Mercosul submeterá o novo acordo bilateral entre Argentina e Estados Unidos a uma análise rigorosa. O chamado Acordo de Comércio e Investimentos Recíprocos é descrito  em um comunicado oficial do presidente argentino, Javier Milei, como "uma relação estratégica entre ambos os países, baseada na abertura econômica, em regras claras para o intercâmbio internacional e em uma visão moderna da complementaridade comercial".

Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil
Foto: Thiago Ribeiro/Getty Images / Rolling Stone Brasil

O objetivo da análise do Ministério das Relações Exteriores brasileiro é verificar se o texto respeita as normas internas do bloco do Mercado Comum do Sul. Em sua fala, o chanceler brasileiro alertou que qualquer disposição que contradiga a legislação ou os entendimentos prévios do bloco econômico formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuelaserá discutido entre os países. O Conselho do Mercado Comum (Mercosul) prepara uma reunião extraordinária específica para essa análise, convocada pelo Paraguai para a próxima semana.

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Antigo embaixador em Washington e Buenos Aires, Mauro Vieira também reforçou a importância geopolítica do acordo comercial com a União Europeia. Aprovado pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (25), o Acordo de Livre Comércio prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Lançadas há 27 anos, as negociações almejam criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. Vieira explicou que, após a aprovação pela Câmara, o Brasil trabalha para que o Senado ratifique o texto e coloque o acordo em ação ainda nesta semana.

Sobre os episódios recentes de violência institucional e perseguição a chefes de Estado, o ministro citou os ataques à soberania dos Estados da Venezuela e Irã por parte dos EUA. O chanceler reiterou a posição pública do governo brasileiro, que já repudiou os ataques de Israel e dos EUA. "É um completo e absoluto desrespeito ao direito internacional. Ao longo da minha carreira, nunca vimos nada parecido. É um flagrante desrespeito à Carta da ONU", afirma Vieira.

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Rolling Stone Brasil
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