Vorcaro desembolsou R$ 450 milhões em créditos de advogada para quitar dívida com a Receita

Estratégia foi rejeitada pelo Fisco por falta de liquidez e certeza jurídica; auditoria do BRB apontou repasses atípicos de R$ 33 milhões para escritório envolvido na operação

22 set 2026 - 12h04
Resumo
O banqueiro Daniel Vorcaro comprou R$ 451,3 milhões em precatórios desvalorizados para tentar quitar uma dívida de R$ 210 milhões com a Receita Federal, que rejeitou a operação por falta de liquidez e segurança jurídica. Os títulos, ligados à advogada Dalide Corrêa, foram cancelados pela Justiça. O caso expõe manobras do Banco Master, que fez repasses atípicos de R$ 33 milhões ao escritório e usava papéis de difícil recuperação para transferir recursos de fundos a holdings no exterior.

Uma operação financeira envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master veio à tona com detalhes revelados pela coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles. Em março de 2024, Vorcaro comprou um lote de precatórios no valor de face de R$ 451,3 milhões com a intenção de usá-los para quitar uma dívida tributária de R$ 210 milhões com a Receita Federal. A estratégia, no entanto, não funcionou.

Reprodução/Agência O Globo
Reprodução/Agência O Globo
Foto: Mais Novela

Os títulos têm origem em uma ação indenizatória da Una Agroindustrial contra a União, relacionada ao congelamento de preços praticado entre 1985 e 1992. O escritório da advogada Dalide Corrêa, que representou o caso, ficou com 30% do valor obtido como honorários. Em 2020, porém, o STF exigiu a comprovação do prejuízo real em processos do tipo, derrubando o valor de mercado desses papéis. A situação piorou com a suspensão dos pagamentos pelo TRF-1 e o posterior cancelamento das ordens pelo Juízo Federal, que determinou a devolução dos valores ao Tesouro Nacional.

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Mesmo com os ativos já desvalorizados, o escritório transferiu os direitos ao fundo SSA FIDC, ligado à Reag, de onde Vorcaro os adquiriu. A Receita Federal rejeitou a oferta por falta de liquidez e certeza jurídica, e o pleito segue pendente de julgamento.

O caso ganhou repercussão após o Estadão revelar que uma auditoria interna do BRB identificou repasses atípicos de R$ 33 milhões do Banco Master para o escritório de Dalide em apenas um ano. As investigações apontam que precatórios de baixa liquidez eram usados rotineiramente pelo banco como ativo contábil, permitindo transferir recursos de fundos de investidores para holdings patrimoniais no exterior em troca de papéis de difícil recuperação.

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