Virginia Fonseca rescindiu seu contrato com a Blaze após o MPDFT mover uma ação civil pública contra ela e a plataforma de apostas. A investigação aponta uma estratégia predatória e ilícita na captação de clientes, além de apurar o uso de termos enganosos como "renda extra". Motivada por mais de 42 mil reclamações de usuários, a ação judicial cobra até R$ 380 milhões em indenizações por danos morais coletivos e continuará em andamento na Justiça mesmo após o rompimento.
Virginia Fonseca anunciou nesta sexta-feira (21) o fim de seu contrato com a plataforma de apostas Blaze. A decisão veio à tona após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) protocolar uma ação civil pública contra a influenciadora e a empresa.
A ação chegou ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) em julho. Além disso, o processo chama atenção pelos valores envolvidos. Segundo o MPDFT, a indenização por dano moral coletivo relacionada aos influenciadores que divulgaram a plataforma pode chegar a R$ 380 milhões.
O órgão calculou o montante a partir do faturamento bruto da Blaze em 2025. Conforme documentos obtidos durante a investigação, a empresa registrou aproximadamente R$ 1,9 bilhão em faturamento bruto entre janeiro e novembro daquele ano, antes dos impostos.
Em meio à repercussão do processo, a agência VF Digital, ligada a Virginia Fonseca, confirmou oficialmente o encerramento da parceria.
"A decisão foi formalizada observando os termos aplicáveis à relação contratual, encerrando-se de forma regular", afirmou a agência.
O que diz a ação contra Virginia e a Blaze?
A investigação vai além do contrato publicitário mantido por Virginia Fonseca. Em manifestação assinada pelo promotor Paulo Roberto Binicheski, o MPDFT afirmou que teve acesso ao balancete financeiro da plataforma referente ao período entre janeiro e novembro de 2025.
Segundo o órgão, a relação entre a influenciadora e a empresa teria integrado uma estratégia conjunta para atrair consumidores. Na manifestação citada pelo Metrópoles, o MPDFT sustenta que Virginia Fonseca e a Blaze "atuariam em um conluio predatório, onde a divisão de tarefas materializaria uma estratégia conjunta de captação de consumidores por meios ilícitos".
A acusação faz parte da argumentação do Ministério Público na ação e ainda precisa passar pela análise da Justiça.
Além disso, o órgão relacionou o pedido de indenização ao faturamento da plataforma. Dessa forma, o valor apontado pelo MPDFT pode alcançar R$ 380 milhões por danos morais coletivos.
Contratos de Virginia e Neymar entraram na mira
Antes mesmo da ação civil pública, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) já investigava as estratégias de marketing utilizadas pela Blaze.
Durante a apuração, a Promotoria determinou que a plataforma apresentasse cópias dos contratos que mantinha com Virginia Fonseca e Neymar Jr.. O objetivo era entender como funcionavam as campanhas promovidas pelos famosos e quais orientações a empresa fornecia aos seus representantes.
Um dos pontos investigados envolvia o possível uso da expressão "renda extra" nas publicidades. O MPDFT buscava verificar se a Blaze orientava influenciadores a apresentar as apostas dessa maneira.
Segundo o órgão, esse tipo de divulgação poderia contribuir para o agravamento do endividamento e provocar impactos na saúde financeira das famílias.
Mais de 42 mil reclamações chamaram atenção
A quantidade de queixas contra a plataforma também entrou na investigação. De acordo com a Prodecon, denúncias de usuários e um relatório técnico ajudaram a motivar a abertura do procedimento.
O levantamento citado pelo órgão aponta mais de 42 mil reclamações registradas contra a Blaze. A partir disso, o Ministério Público passou a analisar tanto a atuação da plataforma quanto as estratégias utilizadas para divulgar os serviços ao público.
Agora, o rompimento entre Virginia Fonseca e a empresa acrescenta um novo capítulo ao caso. Apesar do fim da parceria comercial, a ação civil pública segue seu curso na Justiça, e o encerramento do contrato não significa o fim das apurações envolvendo a influenciadora.